Conic - Uma igreja que acolhe os homoafetivos

A Comunidade Athos é uma igreja recente, com visão inovadora no País

Conic - Seis estúdios fazem a festa dos tatuadores

A tatuagem encontrou no Conic sua casa no Plano Piloto

Conic - O brilho das Drag Queens

Assim que Savanna Berlusconny sobe ao palco, o público da boate se aglomera para assisti-la

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Amor de repente



A raiz da cultura nordestina é conhecida em Ceilândia. A poesia cantada, chamada de repente, faz parte do dia a dia na cidade satélite. Veja na reportagem da nova plataforma do Esquina On-line. Conheça os principais autores e livros  da Literatura de Cordel, e assista aos vídeos cantados por repentistas.

Por Jaqueline Amanda




Dançarinos protestam devido a espaços culturais abandonados


Grupo faz manifestação na Torre de TV
Na capital federal, dançarinos iniciaram um protesto pelo bloqueio de acesso aos espaços culturais, atualmente abandonados e pela falta de recursos de entidades governamentais para incentivar os artistas de Brasília e cidades satélites através do movimento “Mexa-se, Brasília tem Dança”. Os artistas tiveram que manifestar em espaços abertos como a Feira da Torre e em frente à Câmara Legislativa.

O movimento denominado como “Mexa-se, Brasília tem Dança” surgiu ano passado em função da dificuldade da categoria artística da dança em promover um diálogo democrático com o Governo. Sobre administração anterior, as diversas demandas foram bloqueadas antes mesmo de serem postas à mesa. Foi quando os artistas independentes de associações e fórum resolveram se manifestar em prol do movimento e conseguiram uma sessão solene na Câmara Legislativa, onde a manifestação se tornou mais presente.

Isso interfere em um déficit de um diálogo entre os representantes de todas as áreas sociais para que as ações em prol da arte sejam mais efetivas e com resultados para grande parte da população do DF, incluindo o público, os artistas, os produtores e os trabalhadores envolvidos com a arte, como cenógrafos, costureiras, artistas plásticos, pessoal da faxina, segurança, como conta o coordenador do projeto, João Carlos Corrêa.


Assista abaixo a entrevista com João Carlos Corrêa



Leia também: Ministro da Educação anuncia mudança de regras no FIES

O artista, produtor cultural e novo secretário de cultura Guilherme Reis, recebeu os dançarinos no gabinete enquanto movimento artístico e ponderou de forma bem tranquila as demandas da dança. Aí se reestabeleceu o diálogo tão desejado. Foi quando as demandas foram colocadas em pauta, mas ainda existia a falta da ação efetiva do Governo para solucioná-las.

Quando o Governo tomou a medida de uso do Fundo da Cultura (FAC) para sanar despesas de outras áreas, os dançarinos decidiram se reunir novamente, para protestar com braço firme, sem ultrapassar os limites do respeito. Ou seja, a categoria estava pronta para agir pela dança e pela cultura do DF buscando auxílio do governo. Porém, isso não é uma tarefa fácil.

 Neste ano, o dia 29 de abril, dia internacional da dança por força de lei, não foi comemorado com espetáculos abertos em teatros e workshops em centros de dança como de costume. Isso pelo fato de não ter teatro nacional aberto na cidade, o centro de dança estar interditado, o espaço na quadra 508 Sul se encontrar fechado e não haver teatro nas cidades satélites. Como alternativa, a festa foi celebrada em um espaço aberto na Câmara Legislativa, na porta da casa do povo, aos olhos dos Senadores para que eles pudessem ver a alegria, a celebração e as necessidades dos artistas.

A própria secretaria da cultura incluiu essa data no calendário oficial das comemorações do aniversário de 55 anos de Brasília oferecendo um caminhão-palco que abrilhantou a festa. Houve apoio de deputados, da Câmara, aprovação da utilização da área externa daquela Câmara, além de certificados oferecidos e assinados pelo secretário de cultura.

Na “Virada da Dança”, entre o dia 28 e 29, onde os artistas ficaram 24 horas em atividade, ocorreram workshops, aulões, apresentações de dança e um microfone foi aberto pro “Fala Artista” para que os dançarinos colocassem suas demandas a serem enviadas ao Governo.

A chuva no dia da Dança tornou o trabalho mais belo, até porque o artista em momento nenhum deixou de participar por conta de condições climáticas. “O Grito da dança” começou com chuva e, apesar do tempo nebuloso, o chão tremeu, mas não por conta dos trovões e sim por conta das pisadas dos artistas.

A “Virada da Dança” também começou com uma tempestade que dificultou, inclusive, a montagem das tendas inicialmente. À noite teve um tempo frio e os dançarinos mantiveram o pé no chão. Na madrugada, sereno, de manhã um sol de rachar e à tarde chuva, nem por isso os dançarinos deixaram o local. O organizador do movimento João Carlos Corrêa conta que “Em nenhum momento nenhum artista deixou de manifestar a intenção de pisar no palco. A dança acontece em qualquer situação”.

Dança para-tudo
João também explica sobre a existência de uma flor no cerrado chamada para-tudo que é fina e floresce em toda a época do ano. Apesar da beleza ímpar, está quase em extinção na região por conta do uso predatório do homem que retira a flor do seu ambiente para fazer artesanato. “A dança do DF é uma dança para-tudo, ela floresce em qualquer condição climática ou de terreno. Mas está por um fio por conta da inação do governo e dos parlamentares”, ressalta.

Para ele, os artistas colheram essa flor, ornando essa cidade e colocando em exposição. Dessa maneira, ela permanece florescendo em todas as épocas do ano, em qualquer ambiente. Entretanto, para florescer e continuar, ela precisa mais do que a ação dos dançarinos, a flor necessita dos espaços públicos. O centro de dança para fomentar a dança tanto de Brasília, da capital, quanto das cidades satélites, através das regionais de cada conselho de cultura de cada cidade. E isso só funciona através do diálogo entre população e governo. Não podemos deixar a flor do cerrado morrer e nem a cultura na capital federal.

Governo
Na tentativa de incentivar o diálogo, o Governo do Distrito Federal abriu consulta pública sobre o regulamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) — aprovado em novembro de 2013 pelo Decreto nº 34.785. A população do DF se cadastrou até o dia 31 de abril. Tudo isso de forma online, acessando o endereço www.participa.br/culturadf.

Simultaneamente, reuniões sobre o FAC vêm sendo realizadas com representantes da sociedade civil e do governo. Qualquer pessoa pode participar dos encontros. A agenda completa está disponível no site do Fundo de Apoio à Cultura.

Do mesmo modo, é possível também participar da elaboração do Plano de Cultura do DF, com prazo estipulado até o dia 15 de julho. O plano visa estruturar as políticas públicas culturais em Brasília nos próximos dez anos. Antes de valer como legislação, o texto tem que passar pela análise da Câmara Legislativa.

Ana Luíza Reis (texto, fotos e vídeo)








Conic - Sob quatro rodas

O Conic é conhecido pela sua diversidade e peculiaridade. Nele, funcionam os mais diferentes tipos de comércios e sindicatos. Dentre eles pode-se encontrar boates, cinema, bares, igrejas e muitas lojas. Algumas dessas lojas têm maior destaque, e as as mais tradicionais são as de skatewear. Construídas desde o início do Conic, as lojas de Skatewear marcam o espaço cultural do prédio. Mais do que lojas, elas se reúnem e promovem eventos todos primeiro sábado do mês. Segundo os lojistas e donos dos estabelecimentos, os eventos são para interagir com seus clientes e para tentar trazer o público do Conic de volta, já que a maioria está migrando para outras áreas. Ao andar pelo estabelecimento durante o dia é perceptível a falta de higiene e policiamento.


SKATEWEAR

Cleiton Fragoso feliz com os eventos /Foto:  Fábio Setti
Referência em Skatewear, o Conic já se tornou ponto de encontro para skatistas de todas as idades e partes do Distrito Federal. A escolha é óbvia: pela quantidade de lojas e produtos vendidos no Conic, e o espaço aberto central, o prédio se torna o local ideal para encontros da modalidade esportiva. A concentração de skatistas no local ainda é a maior de Brasília. Todo primeiro sábado do mês, acontece um evento que ajuda na divulgação das lojas. Por esses eventos já passaram trucks e rodinhas famosas, como as de Rony Gomes e Otavio Neto. Vendedor há 10 anos e morador do Valparaíso, Cleiton Fragoso chegou por acaso ao Conic por um convite do primo. 

Cleiton pegou gosto pelo ramo da skatewear e se identificou com o público.“Nossa loja patrocina os eventos, banca tudo e como retorno, recebemos o carinho e a volta do público que nos prestigia. A galera é fiel, mas temos que ter maior apoio do governo”, Para o vendedor experiente não são apenas os problemas internos do Conic que fazem o público se afastar. Há muitas obras aos arredores da rodoviária que não tem previsão para acabar. 

O transporte é ruim das cidades satélites ao centro e a falta de informação sobre o
local também causa efeito negativo na vinda do público. “Tem que ser feito algo a respeito da imagem que as pessoas têm daqui, é nosso papel limpar o nome, mas também tem que haver atitude da administradora”, acrescenta Cleiton.

Confira o vídeo dos skatistas em Brasília

Vantagens

Matheus Pimenta se diverte de dia / Foto: Fábio Setti
Todo shopping tem seus prós e contras. Lugar tranqüilo de manhã, inofensivo durante o dia, tem grandes atrações e visual descolado. Grafites espalhados, artistas de rua e artesanatos variados recheiam o Conic. Durante o dia, o setor é bastante agradável, tem um visual de encher os olhos e possui um espaço de qualidade para andar de skate, segundo Matheus Pimenta, de 21 anos, que ressalta que o local tem suas qualidades. “As pessoas falam muito mal daqui, mas na realidade o que acontece de pior é nos horários mais vazios. Durante o dia é bem tranquilo, como qualquer outro local”. Matheus também conta que visita o Conic tranquilamente e acha as opções de loja e preço bem acessíveis. O rapaz lamentou a migração do público e ressaltou que é um lugar único e que não deveria ser abandonado.



Problemas


Guilherme Silva, vendedor de uma das lojas de skate, tem 19 anos e é vendedor no Conic há um ano e meio. Ele afirma sair todo dia após o expediente com medo dos moradores de rua que ficam aos arredores. “Por volta das 14h eles chegam, ficam aí xingando as pessoas e ameaçando elas, infelizmente o Conic está perigoso”. Antes de trabalhar no lugar, Guilherme era frequentador assíduo e frisou a qualidade das lojas e do estilo alternativo do setor. Ele conta que ia muito para lá encontrar os amigos e sair para andar de skate. “Eu sempre vinha para comprar meus equipamentos que só tinham aqui e depois descia para o setor comercial, museu para andar de skate”, diz o jovem. Desde que começou a trabalhar na loja e ter maior contato com o local e o público, o jovem vendedor diz que o número de skatistas diminuiu. “Aqui está queimado demais. Vejo na internet a população reclamando. Virou ponto de droga, a polícia faz descaso conosco e, consequentemente, nossos clientes desaparecem”, reclama Guilherme. 



Guilherme Silva chama os clientes de volta /Foto:  Fábio Setti


Por Fábio Setti

Conic - O brilho das Drag Queens


Assim que Savanna Berlusconny sobe ao palco ao som de uma música pop animada, o público da boate do Conic se aglomera para assisti-la. Ela, com pernas compridas e bem torneadas, sorriso confiante e peruca brilhosa, não hesita em seus movimentos. Com passos de dança bem ensaiados e rítmicos, Savanna leva o público à loucura, enquanto joga o cabelo de um lado ao outro.

No meio da coreografia, sua peruca cai. Ela não se deixa abalar e seus passos não se confundem em nenhum momento. Quando está em cima dos palcos, Savanna é a estrela do lugar. Ela continua dançando até o final da música, suas macabras lentes de contato brancas reluzindo à luz brilhante do local.



Assim que a música acaba, ela sai correndo dos palcos. Os aplausos estouram a sua volta enquanto ela sai apressada e ninguém percebe a lágrima silenciosa que escorre por seu rosto. “Eu corri e vim pro camarim chorar. Eu corri e fiquei chorando aqui. Aí depois a Carrie [outra Drag que se apresentou hoje] falou ‘Põe a peruca e vai dar entrevista!’. E olha, eu demorei três anos fazendo shows pra conseguir pagar essa peruca”, explicou Savanna, alisando carinhosamente a peruca já recolocada em seus cabelos.

Pela autenticidade e por Savanna ter conseguido driblar o imprevisto, a queda da peruca pareceu até mesmo proposital, mas para ela foi como um desastre. “A peruca é o complemento fundamental da montação”, contou. “Porque mesmo quando você se maquia e se olha no espelho, quando a peruca entra, por mais que a roupa esteja estranha, ela é a peça chave, sem ela não tem como se montar, infelizmente não.  Ela é o nosso alicerce.”


Savanna continua seu show mesmo sem a peruca e arranca aplausos do público/ Foto: Regina Arruda



Carrie Meyers, que tem seu nome artístico inspirado na personagem “Carrie, a estranha”, foi a convidada da noite para uma participação especial. Ela e Savanna fizeram um número de comédia que ensaiaram minutos antes no camarim, mas que fez o público local gargalhar. As duas encenaram piadas sobre como se preparar, na rodoviária, para um encontro romântico.

Espetáculo que Carrie Meyers e Savanna Berlusconny em boate do Conic / Foto: Regina Arruda
Para a ocasião, Carrie estava fantasiada de Mickey Mouse. Colan preto e vermelho, orelhinhas e luvas brancas. Cada detalhe foi pensado. Até mesmo o sapato de salto alto que usava era amarelo, para combinar com o brinco. Suas lentes assustadoras e brancas, e seu batom preto comprovaram que Carrie realmente não tinha como passar despercebida naquela noite. Mas segundo ela, seu objetivo nunca foi parecer uma mulher. “Eu nunca quis parecer uma garotinha, e nem acho que meu personagem é tão feminino. Eu sempre quis algo que fosse o mais diferente possível. Conheço várias Drag Queens que quando montadas você olha na balada e acha que é uma mulher, mas meu objetivo não é esse”.


Para Carrie, uma das vantagens que as Drag Queens têm, é a vasta possibilidade de se produzirem. Cada dia podem estar de um jeito diferente, se vestir de um novo personagem e, no final de tudo, continuar sendo um homem. “A gente pensa na hora de soltar todas essas fitas que prendem a gente. Mas não passa na cabeça da gente de botar peito e de deixar cabelo crescer. Eu penso ‘pra que ter um cabelão se semana que vem eu quero estar de cabelo rosa e no domingo eu quero estar de cabelo roxo?’”.
Carrie Meyers se fantasia de Mickey Mouse para a apresentação da noite/ Foto: Regina Arruda e Bruna Goularte
Carrie contou que estudou por quase seis meses para aprender tudo sobre maquiagem e cabelo para trazer o melhor para o público. Segundo ela, essa é uma forma de se expressar. “Ser Drag Queen pra mim é arte. Eu pego toda a arte que eu tenho guardada em mim e jogo na minha personagem. É meio que meu lado feminino. A gente se veste pra fazer show e apresentação e quando eu tirar isso aqui tudo, toda essa camada de maquiagem, eu sou um garoto”, revelou.


Habituamente toda a produção acaba no fim da noite, mas Carrie contou que já pegou metrô toda elaborada e foi normal, tudo ocorreu bem. As pessoas pediram até para tirar foto, mas de acordo com ela, não é todo lugar de maioria heterossexual que se tem uma boa recepção. Com isso, ela assume que atualmente não tem mais atitudes assim, pois tem medo da reação das pessoas. “Hoje em dia eu não tenho mais coragem de fazer isso. Eu paro para pensar e falo ‘Meu Deus, que loucura’. Tem pessoas ruins em todos os locais e pra fazer uma maldade comigo é um pulo, sabe? Mas dependendo do lugar, os heteros sabem receber a gente muito bem”.


Boate


A grande movimentação que ocorre nos corredores do Conic durante o dia, dá espaço a uma área pouco frequentada no período noturno. No decorrer do dia, o local vai sendo abandonado e, pouco a pouco, as pessoas que ocupam o Setor de Diversões Sul, deixam o espaço. No entanto, é por causa desse lugar plural de cultura e gostos dos mais variados tipos que muitos brasilienses ocupam o Conic fora do horário comercial e buscam diversão, boa localização e uma vida noturna animada que aconteça em uma casa de festas LGBT.


É lá que as Drag Queens Savanna Berlusconny, de 22 anos e Carrie Meyers, de 18, são atrações quando querem se apresentar e procuram por um público fiel. “Essa é uma boate que desde sempre vem trazendo as Drag Queens. Então a gente já tem uma recepção muito boa aqui”, contou Carrie Meyers. “Se tem uma semana que a gente não vem, a galera fica ‘Cade vocês? Vocês não apareceram’. A galera nos recebe muito bem”.


As Drag Queens, Savanna e Carrie ilustram a diversidade do Conic / Foto: Bruna Goularte

Carrie acredita que a diversidade existente no Conic é importante para a visibilidade das Drag Queens, para que a população passe a notá-las com outros olhos. “É legal porque as pessoas tentam enxergar a gente, sabe? Não enxergar como monstros ou como pessoas que são ruins. Somos pessoas boas. Então quando eu mostro o meu trabalho para esse público diverso que tem aqui no Conic, eles vão entender que não é assim”.


Além disso, o palco do Conic permite um espaço de expressão às Drags. Savanna explicou como se sente quando está apresentando. “Eu me sinto uma rainha, me sinto uma deusa. E é uma sensação ótima. Agora é assim: em dia de show, por exemplo, eu brigo feio com o produtor, e a gente fica sem se falar”, contou ela.  “Isso acontece porque eu fico muito tensa. E eu digo ‘ah, enquanto eu sentir isso, eu continuo na profissão’. Mas quando eu parar de sentir isso, eu também paro, porque aí eu acho que perdeu a magia”.


A equipe de reportagem do Esquina Online vivenciou uma noite na boate LGBT. “Vocês estão na festa certa?” Perguntou logo de cara o segurança para a equipe assim que pareceu na porta da boate. “Eu conheço o pessoal que vem aqui. E vocês não têm o tipo dos que frequentam esse tipo de lugar”. O segurança, ao se pronunciar, mostrou que conhecia bem as pessoas que iam ali para se divertir.


Mas tirando o segurança conhecedor do público, ninguém dentro da boate pareceu estranhar a presença dos repórteres. O estilo das pessoas ali dentro era do mais diverso. Na porta da festa, a única exigência era para mostrar as identidades para confirmar se possuía a idade mínima de 18 anos para frequentar o local. Por estar localizada no centro de Brasília e próxima a rodoviária, esse é um bom cenário para quem não tem carro ou não quer enfrentar os estacionamentos vazios depois de uma festa, pela possibilidade de pegar um ônibus no início na manhã.


Diversidade


Nem só de boas recordações vive o Conic. A boate onde as Drags se apresenta é vizinha de parede com uma igreja evangélica. “Os nossos horários são totalmente diferentes, então o público não chega a se chocar. Só teve uma única vez mesmo… No mais, graças a Deus, nunca aconteceu nada… Nunca nem polícia...A gente sempre trabalhou nos conformes”, explicou Savanna, quando questionada sobre como era relação que a boate mantinha com uma igreja tão próxima.


A boate LGBT é vizinha de uma igreja evangélica. Atualmente a relação entre os espaços é saudável/ Foto: Regina Arruda
“Só teve uma vez que aconteceu um probleminha”, contou Savanna. “O pessoal estava se apresentando, com a casa cheia, e os pastores da igreja desligaram o gerador do Conic. Bateu polícia, foi muita briga. E o pessoal da igreja disse que ‘era safadeza’, que não podia”. Isso já tem mais ou menos uns cinco anos. E foi antes de eu me apresentar. Eu estava frequentando e presenciei tudo. Mas tudo bem… Águas passadas não movem moinhos!”

O segurança da boate, Juarez da Silva já trabalha no Conic há dois anos. Ele disse que já percebeu atitudes de preconceito a transexuais, Drag Queens e homossexuais que frequentam a boate. “A igreja quando começou, o pessoal que saia de lá não deixava eles (LGBT) ficarem aqui na frente. Já aconteceu de avançarem em muito deles ali dentro. Agora, hoje em dia tá muito calmo, mas isso aqui antigamente era muito pior”.

Por Bruna Goularte e Regina Arruda - Esquina Online

Conic - O sebo de Ivan Presença

Localizado no centro do poder, o quiosque cultural, que é um sebo, tornou-se uma referência para os apaixonados por livros raros, boa música e reunião de amigos. Ivan Presença, 65 anos, carioca, livreiro de coração, está no CONIC desde 1980.

 A paixão por livros começou na adolescência, ainda no Rio de Janeiro.” Sempre gostei de visitar redações de jornais, revistas, rádios, televisão”. Ele declara que trabalha por uma “necessidade orgânica” e que não enxerga outra possibilidade de sobrevivência.

Leia mais: livrarias no Conic

A abertura da livraria se deu em sociedade com seus dois irmãos. “E o nome da livraria surgiu por conta dessas presenças constantes em redações”, relata. Ele promoveu inúmeros lançamentos de livros, além de possuir um espaço de cultura e integração com os clientes. Após uma grave crise financeira, teve que fechar a loja e abrir posteriormente o quiosque cultural.


Convivência

Segundo ele, a convivência com os vizinhos é pacifica. As brigas são entre o inquilino e o dono do estabelecimento para receber o aluguel, uma vez que o movimento é baixo e os alugueis caríssimos, ironicamente relata.

Ele possui clientes variados e não há uma gama grande de clientes. Diz também que esse não é um comercio, mas uma “caixinha de surpresas”. As pessoas procuram por uma necessidade quando se lembram do quiosque cultural. Em relação ao CONIC, afirma não ser um centro comercial. As pessoas só procuram por necessidade, seja em busca de um dentista, oftalmologista, rezador, ou quebrar um mal olhado na igreja.


Por Ricardo Moura


Conic - Espaço Cultural para todas as tribos

Ao longo dos seus 47 anos, o Conic é visto como um espaço de diversidade. Além dos diversos estabelecimentos como igrejas, boates, sex shops, lojas alternativas, salas de teatro, saunas, cinemas e bares, o local é também conhecido pela cultura. A pluralidade do cenário pode ser notada no Espaço Cultural que é ocupado por batalhas de hip hop, campeonatos de skate ou encenações teatrais. Essas atividades são realizadas na maioria das vezes na praça central ao lado das lojas. O subsolo também recebe alguns eventos, como por exemplo, lançamentos de livros ou festas de música eletrônica, segundo a prefeita do Conic, Flávia Portela. 

Praça central do Conic onde são realizados diferentes eventos / Foto: Maria Eduarda Cardim 

Flávia explica que não há um lugar fixo para as festividades e que qualquer pessoa pode solicitar o espaço. Porém há normas. É necessário assinar um contrato com um termo de responsabilidade. “O procedimento de você fazer um evento fora, em qualquer lugar, é o mesmo de fazer um lá no Conic”, conta a prefeita.

Uma das lojas que utiliza o espaço para fazer eventos é a loja de skate, Funhouse. O supervisor, Stênio de Araújo, de 34 anos, conta que todo mês é realizado um evento na praça central organizado por um coletivo de 6 lojas para reunir os clientes, fazer brincadeiras, dar brindes, fazer grafites e realizar campeonatos de skate. Além de divertir, o objetivo é ajudar a divulgar as lojas que têm um público diferenciado.

Stênio de Araújo, supervisor da loja Funhouse, que já realizou e participou de eventos no Conic / Foto: Carine Bender

O supervisor, que trabalha há 13 anos no Conic, conta que hoje os problemas para realizar os eventos são poucos, mas antigamente já houve dificuldade. Devido ao público grande, havia depredações, grande quantidade de lixo, música alta, e com isso, surgiam reclamações. Atualmente, para evitar as complicações, os estabelecimentos chegaram a um acordo, e os eventos normalmente ocorrem nos finais de semana à tarde com a presença de seguranças para manter a integridade do local e evitar vandalismo.

Confira na íntegra a entrevista realizada com Stênio de Araújo.

Outro estabelecimento que utiliza o espaço cultural do Conic é a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (FADM). Todo ano ocorre a “Mostra Dulcina”, e o último evento realizado pelos alunos da faculdade foi uma exposição com feira de aprendizado. A produtora cultural da Fundação Brasileira de Teatro, Julie Wetzel, acredita que essas atividades trazem mais vida e visibilidade ao espaço. “O evento transformou o espaço com as crianças e famílias que vieram participar”, afirma.  

O publicitário, Raphael Ribeiro, também já frequentou os eventos do Dulcina no Conic e foi em festas de música eletrônica, hip hop e rock. Ele relembra que na época que frequentava era lotado. Ele e Julie acreditam que os eventos são uma forma de quebrar os tabus e apresentar o local às pessoas que ainda não conhecem.

Entre exposições de artesanato, festas de música eletrônica, campeonatos de skate, batalhas de hip hop, lançamentos de livros, exposições de arte, encenações teatrais e shows de rock, o que não falta são opções culturais no Conic para os mais diferentes gostos.

Cartazes divulgando os eventos que acontecem no Espaço Cultural do Conic / Maria Eduarda Cardim

Por Maria Eduarda Cardim - Esquina Online 



















Conic - Um tablado democrático

O que marca os 47 anos de história do Conic é a diversidade cultural que ainda hoje reina por lá. Quem visita o Conic pela primeira vez se impressiona com a quantidade de pessoas que circulam por seus 100 mil m². De mendigos a empresários engravatados, o Setor de Diversões Sul, nome original do local, é democrático em todas as suas expressões.(Veja a entrevista com a Prefeita do Conic)
Talvez a melhor descrição do local seja “no Conic tem de tudo”. Pelos corredores simples e convidativos, é possível encontrar igrejas, salão afro, livrarias, boates, cinema pornô, lojas de camisetas, sindicatos, restaurantes, faculdades e a maior concentração de óticas da cidade. Como no tablado de um teatro, ali, todos têm vez e todos têm voz.
Na época de sua inauguração, em 1967, o Conic era frequentado principalmente por funcionários de embaixadas ainda em construção. Por isso, o local virou centro de restaurantes e lojas sofisticadas. Com os anos, as embaixadas ficaram prontas e essas pessoas foram abandonando o lugar. Desde então, bares e outros comércios populares passaram a ocupar o local. Nem por isso o Conic perdeu o seu encanto.
Josimas Costa: "Aqui, criei a minha família."/  Foto: Camilla Venosa
O Conic, então, virou moradia de usuários de drogas, prostitutas e violência. Mesmo assim, alguns comerciantes não desistiram do local. Josimas Costa comprou uma barbearia no Conic, em 1976, e vivenciou quase todas as fases do local. “Aqui, tinham muitas drogas e prostituição, mas eu fiquei. Aqui, tive minha subsistência e criei a minha família.”
O zelador, Sebastião Santos, mais conhecido como Tião, está há 23 anos no Conic e trabalha nos 15 prédios que compõem o complexo. Ele afirma que, nos últimos anos, a segurança do local melhorou e que, agora, a situação do Conic é outra. ”Aqui era um pouco violento. Hoje, não tem mais violência porque tem segurança.”
Apesar dos tempos difíceis, o Conic não perdeu seu espaço na cidade, foi se reestruturando e aos poucos reconquistando o público. O local conta, hoje, com 2 mil centros comerciais e cerca de 400 mil pessoas circulam por lá diariamente. A atual prefeita do complexo, Flávia Portela, conta que o Conic conseguiu refazer a sua imagem, mas ainda é preciso muito trabalho. “Já melhorou, mas não melhorou na velocidade que eu queria até por falta mesmo de recursos. Meu trabalho, hoje, é manter essa aura para que não vá tudo para as cucuias.”

Anderson Mol, dono de um restaurante no Conic: "Eu nasci aqui [no Conic]" /  Foto: Camilla Venosa


As pessoas que ali trabalham fazem parte dessa história singular e não querem abrir mão de seu negócio pela tradição dos estabelecimentos do Conic, que é passada de gerações. Dono de um restaurante localizado no centro do complexo de prédios, Anderson Mol da Costa, de 35 anos, tinha apenas 4 quando seu pai criou a loja e, hoje, dá continuidade ao trabalho. Ele conta que outros comerciantes do local também criaram suas famílias pelo Conic. ”Eu nasci aqui. Tinha muita gente conhecida, muita criança mesmo nessa área. E muitos comerciantes estão aqui até hoje, sobrevivendo disso.”


Por Camilla Venosa - Esquina Online


Conic - A prefeita Flávia Portela dá a palavra

O Esquina Online entrevistou a prefeita do Conic, Flávia Portela. Ela assumiu a prefeitura do local em 2003. Hoje, aos 52, Flávia fala sobre dificuldades, história e planos para o futuro do complexo. Confira!
Flávia Portela, prefeita do Conic, em sua casa no Park Way / Foto: Priscila Pietschmann

A senhora já tinha pegado algo de tamanha diversidade antes de ter chegado ao Conic?

Não, foi tudo muito novo. Eu sou uma profissional liberal de escritório de arquitetura, de projeto e obras. Nunca tinha pego, foi radical ! Eu tive muita dificuldade no início porque eu vinha de quase 20 anos fazendo projetos e tocando obras. Era uma lógica diferente. Eu até tento passar essa lógica para os nossos eventos culturais. No começo eu via artistas muito soltos. A gente vinha com planilhas, com um projeto com começo meio e fim, então começou-se uma coisa mais organizada. Nós já fizemos muita coisa ali no Conic.

- HISTÓRIA

O local já estava nos planos iniciais da cidade ou a ideia de construí-lo veio depois?
Sim, o local faz parte da escala agregaria projetada por Lucio Costa, tanto o Setor de Diversões Sul quanto o Norte já estavam no projeto inicial dele e era justamente para abrigar as atividades de maior concentração como bares, teatros, etc.(Saiba mais sobre a História do Conic - Um tablado democrático)
A prefeita Flávia Portela segura foto da fachada do Setor de Diversões Sul em Brasília / Foto: Priscila Pietschmann


Quantas pessoas frequentam o local diariamente?
Segundo o dado do antigo Departamento Metropolitano de Transporte Urbano (DMTU) são aproximadamente 700mil pessoas chegam na rodoviária. Destas, por volta de 400mil vão e passam na frente do Conic. Algumas, muitas delas cortam para ir para o setor hoteleiro. O nosso grande desafio é fazer com que essas pessoas entrem, agora para isso a gente teria que ter um comércio mais qualificado, que hoje a gente não tem. Mas mesmo assim, por conta dos sindicatos, eu acredito que uma faixa de 20 a 30 mil pessoas circulem diariamente no Conic.

A imagem do Conic mudou para a população de Brasília ao longo dos anos? De que forma?
Olha, eu acho que ainda não mudou totalmente por falta de recursos. O Conic ,eu acho que no inconsciente da grande maioria, ainda é um espaço de perversão. Já melhorou, mas não melhorou na velocidade que eu queria, mas de quando eu assumi para hoje, pelo menos, a imprensa parou de falar. Mas enfim, respondendo sua pergunta, eu acho que deu uma melhorada. Eu vejo hoje muito mais jovens interessados pelo Conic.

Qual a maior mudança sofrida pelo local desde a sua inauguração em 1967?
Naquela época... O Conic abrigava no começo muitas atividades culturais. As melhores livrarias estavam lá, os cinemas funcionavam, o teatro Dulcina estava a todo vapor, você tinha também embaixadas, umas quatro ou seis, porque o setor de embaixadas ainda não existia, então ali era o centro da cidade, ali funcionava. Durante algum tempo era um centro saudável. Depois disso, como num processo natural começa-se essa degradação. Quando o governo obriga as embaixadas a saírem de onde estão para se instalarem onde hoje é o Setor de Embaixadas com a finalidade de dar segurança, o setor começa a perder muito seu glamour. Daí começam a aparecer outros shoppings em volta e vamos perdendo espaço. No geral, eu acho que essa perda do glamour para o que está acontecendo hoje foi a grande mudança.

Nos dias atuais... Acho que o antigo prefeito tem o mérito de ter ‘limpado’ o Conic porque o local passou por um momento de muitas invasões e eu acho que depois que nós assumimos, eu pelo menos, me propus a trabalhar muito, até pela minha formação, em mostrar a importância do Conic. A partir daí as pessoas começaram a assimilar. Quando eu assumi o Conic, por exemplo, tinha uma vacância, uma ausência de quase 40% de inquilinos. Se você for ao local hoje, você não vê mais isso, então assim, houve uma grande valorização mobiliária. Tinham prédios que não tinham elevadores e hoje, quase todos os prédios já implementaram essas reformas.  Em relação a segurança, segundo a polícia militar nós somos hoje um dos locais mais seguros, é um bom local para investimento. Mas ainda existe o estigma? Existe. Até porque não é fácil desfazer uma imagem assim de uma hora para outra, a menos que se tenha grandes investimentos.

Como o Conic ganhou fama de ser um local perigoso mesmo sendo bem localizado?
Eu acho que ganhou essa fama pelas atividades. Nós tínhamos muitas casas de shows lá e outras atividades a princípio ditas “não-saudáveis”, também tinha ali aquela proximidade da rodoviária, enfim. No momento em que se iniciou o crack, os jovens iam muito para lá. Foi então que um governo criou aquele núcleo de apoio integrado da policia militar, polícia civil, ação social e nossa vida melhorou muito. Hoje, você não vê. Perto do setor comercial, é uma maravilha ! Então você não tem mais a droga lá no Conic. Como eu te digo, chegam 700mil pessoas lá da rodoviária, num centro completamente abandonado, não tem muito como controlar. Mas se você for lá hoje, você vê polícia direto. A gente não pode pensar na segurança só como um resultado de uma ação da polícia. A segurança é iluminação, são as calçadas... Então digo que falta estrutura básica naquele ‘centrão’ todo de Brasília.


"Falta estrutura básica naquele 'centrão' todo de Brasília" - Flávia Portela / Foto: Priscila Pietschmann


Quantas igrejas tem hoje no Conic?
Aproximadamente 10 Igrejas, é um numero que varia muito.

Como convivem os diferentes fiéis? (entre eles)


(entre eles e a relação com as outras pessoas)
Hoje o que mais incomodam as pessoas no Conic são os panfleteiros. É a maior queixa hoje do Conic. E em relação ao barulho, as vezes eles brigam entre eles, mas nada muito expressivo e que eu possa interferir. Nós temos um regimento também que é seguido e que todos do local têm conhecimento, é um regimento assinado, comum do prédio, do comércio. Mas termos gerais, é uma convivência pacífica porque tem a prefeitura, se não tivesse não seria pacífico.

- ESPAÇO CULTURAL

Como é usado o espaço cultural do Conic?
Nós temos alguns espaços, por exemplo, o subsolo é muito utilizado para eventos à noite, lançamentos de livros e etc. Teve recentemente um evento lá que foi dividido em três momentos e no final acabava em festa. Muito legal, bem organizado. Tem por exemplo também, eventos no qual os discos são lançados na frente de uma determinada loja que os apoia. Eu tenho o artesanato que expõem lá na praça central, os alunos Dulcina que fazem eventos na própria Faculdade de Arte e Cultura, temos algumas galerias que também podem ser usadas, tem alguns artistas que ficam pintando ali na frente, artistas que tocam, enfim, não tem um local específico, todos esses locais são locais comuns.

Qualquer um pode solicitar esse espaço para fazer evento? E como é o procedimento?
Sim, qualquer pessoa. Nós temos as normas. As pessoas assinam um contrato, um termo de responsabilidade. O procedimento de você fazer um evento fora, ou qualquer lugar, é o mesmo de fazer um evento lá no Conic. Você assina com 60 dias de antecedência, manda pra gente, a gente analisa, “ah é legal? sim. Comporta ou não comporta?” Mas normalmente eles também já sabem. Não dá para se fazer um evento de 50 mil pessoas lá, mas dá pra, dependendo, fazer um de três, quatro, cinco mil pessoas..

Como esses eventos são vistos pelos comerciantes?
Quando é o lojista quem faz o evento, ele nunca reclama do próprio evento, né?! No segmento do skate eles fazem muitos eventos e são todo bem organizados. O hip hop geralmente tem reclamações por causa da batida, nem todo mundo gosta do Hip Hop. Enfim, a gente evita fazer eventos durante o dia, então são mais a noite, aos sábados depois das 15h, de madrugada no subsolo.. Mas já tive algumas reclamações sim.

Principais dificuldades na organização dos eventos? (segurança/resistência dos comerciantes)
Em relação a prefeitura, nenhum. Até porque já está tudo bem definido. Cada realizador de evento é responsável por pagar todas as taxas e pela segurança. Então eles contratam a segurança, como brigadistas, eles contratam os banheiros que vão usar.. entendeu? Acho que o principal dificuldade seria a falta de apoio da Secretaria de Cultura, eles reclamam muito.

Já teve algum evento que eles causaram problemas e você pensou “Esses aqui não vêm nunca mais” ?
Já sim. Um dos primeiros que eu fiz. Nós levamos 5 mil skatistas para o dia inteiro. Mas foi um pouco acidental, skates quebrados, pisos quebrados, vidraça, sabe? Mas foi só isso. Foi mais pela quantidade de pessoas.
Eu não me lembro de evento algum que teve ‘pancadaria’. A gente trazia há uns três, quatro anos um grande evento que, todo ano, uma vez por mês eles faziam um festival de rock lá e sempre tinha reclamação entre os comerciantes das óticas, porque a música era alta e os óculos [das lojas] sempre amanheciam na segunda-feira no chão. Os lojistas me deixavam maluca.

O movimento aumenta muito quando há eventos no Conic? (lojas, lanchonetes vendem mais?)
Aumenta o público que está acompanhando aquele grupo, né?! Por exemplo, quando um determinado grupo faz um evento aumentam-se as vendas. Mas normalmente as lojas que mais vendem são do mesmo segmento. As vezes, tem algumas lojas “alternativas” também que se juntam e fazem um evento onde elas decidem dar um grande desconto, o que faz com que as vendas aumentem.


Qual o papel da prefeitura na organização do evento?
Bom, eu acompanho, a gente decide quem pode e quem não pode e também incentivamos, né? Dizemos que é bom, pedimos para que eles façam mesmo, convidamos pessoas de fora..

Há uma agenda cultural de eventos do Conic? Onde podemos encontra-la?
Há uma agenda constante. Há também o Calendário Cultural do CONIC proposto pela associação "nossaMARKA", como o apoio da Prefeitura.

- ARTISTAS DE RUA

Os artistas de rua costumam criar algum tipo de problema paras as pessoas do local?
Não, e muito pelo contrário. Muitos artistas quando pedem para fazer festas lá, trás um diferencial, porque foge daquela Brasília que todo mundo está acostumado.



- CINE PORNÔ

Porque os cines pornô acabaram?
Olha, eu acho que o Cine Hits (um dos cines pornôs, na época) era folclórico lá dentro. É uma pena que ele não tivesse mais qualidade, mas em termos de arquitetura ele era uma gracinha. Mas respondendo a sua pergunta, eu acho que ele não se modernizou, não sei porque... O “Cine Hits” foi fechado por falta de segurança mesmo. Certa vez, não chegou a ser um assassinato, mas houve uma briga lá e uma pessoa levou um tiro, foi morrer um pouco distante, fora do Conic, mas por conta disso foi fechado.

Vocês pretendem voltar com o cine pornô? Vocês aceitariam novamente se alguém aparecer com um projeto que quisesse voltar com o cine pornô?
Não tem problema. É uma coisa que eu não iria atrás. Até porque eu nem sei onde ir mas se fosse um cabaré como aquele de Paris, eu abria por que não? Todas as vezes que alguém me pergunta “E as prostitutas?” eu respondo assim “Desde que sejam as melhores de Brasília, pode ser...”

- DROGAS

Como a administração do Conic e lojistas lidam com a questão dos usuários de drogas que ficam lá?
Pois é, eu não vou dizer que está 100% não. De fato é um assunto desagradável no sentido de que a gente não vê uma solução da forma tradicional. Não adianta você ligar para a polícia e dizer “tira esse drogado”, ela vai chegar lá e vai dizer que não pode nem tocar. Reclama-se muito das leis também, porque dizem que as leis acabam beneficiando os moradores de rua ou os drogados, enfim.. A polícia que antes ia lá e tirava, hoje já não vai mais. Tem moradores de rua lá? Tem. Nos perturba? Sim. Mas eu acho que a gente está amadurecendo principalmente em relação a responsabilizar, porque a gente não pode responsabilizar só o Estado, eu acho que os condomínios tem que manter a sua segurança também.

Os usuários de drogas já causaram algum tipo de problema aos lojistas, frequentadores do local?
Sim. Há seis, sete anos, teve um ONG patrocinada por uma grande estatal que levou um projeto, contra a nossa vontade, de ressocialização, de cuidados dos drogados lá para dentro do Conic, a gente sabia que isso não ia dar certo. Ou seja, os meninos iam para lá, tomavam banho, tomavam sopa e depois saiam tocando o terror pelo Conic. Foi um período horrível. Você encontrava as vezes um grupo de 30, 40 meninos de rua. E essa associação depois não tomava mais cuidado, aí eles iam para a sinuca, para a cabine de prostituição que nós conseguimos tirar...Ao longo dos anos, apesar das pessoas não perceberem, por conta deste trabalho de ‘formiguinha’ e que eu faço porque eu gosto, eu hoje consigo resolver melhor as criticas que vêm contra o nosso trabalho. Mas muita coisa foi mudando ali, que eram coisas bem difíceis. Há oito anos, você não conseguia andar no centro de Brasília de forma alguma, você quase que tropeçava no drogados. Eu não sei se ficou essa a impressão pra vocês, mas hoje tem 10, 15% do que era antes.

O que você acha que atraiu os usuários para o Conic?
Não, só para o Conic, né? A droga proliferou. Eu acho que tem certas ‘atividades’ que são apropriadas para um região central, região que você tem trânsito 24h de pessoas, você encontra um grande fluxo de pessoas, então eu acho que esses drogados vão lá pedir dinheiro, de certa forma também os maus-feitos são acobertados, então muita gente com alto poder aquisitivo que vai comprar droga ali no centro de Brasília, a gente vê nas câmeras, não só no Conic, que vão procurar as prostitutas no setor hoteleiro, então são atividades que estão ligadas à um centro de cidade.

-       PLANOS FUTUROS

Quais são os planos agora?
Olha, nenhum. Eu acho que o mais de imediato mesmo é fazer com que a Terracap, por meio de uma parceria com a prefeitura, assuma para reformar e requalificar o local. Isso pra mim agora é o grande sonho. Mas eu acho que eu já dei minha contribuição. Eu as vezes penso em largar a prefeitura e criar uma associação dos amigos do Conic para que eu continue indo atrás de oportunidades no setor porém sem a pressão toda..

Por Priscila Pietschmann - Esquina Online