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Os Invisíveis

Legenda
Foto: Íris Cruz 

Brasília é conhecida por algumas características singulares. Centro do poder político, capital federal, plano piloto. Cidade que vive o dia a dia em blocos e quadras, setores e vias, em uma monótona rotina. 21 de abril marca o aniversário da capital que, por mais visada que pareça, ainda tem muitos rostos invisíveis. Em meio a milhões de habitantes e com a maior renda per capita do país, parte da população vive um drama na cidade: O abandono. 

Atualmente, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, duas mil e quinhentas pessoas vivem nas ruas por diferentes significados e motivos. Brigas familiares, drogas, problemas com bebidas e sonhos interrompidos são alguns dos principais motivos para alguém transformar a rua em moradia.



A psicóloga Fabíola Ferreira comentou que, apesar desses exemplos, não existem fatores específicos para que alguém vá morar na rua, mas sim, de um fenômeno multifatorial. “Alguns estudos que fiz sobre essa realidade, sobretudo com jovens nas ruas, são os que vêm de famílias desestruturadas, expostos muitas vezes pela violência parental, falta de perspectiva de vida e por se acharem incapazes de conquistar um futuro diferente do que eles já vivem”, explicou a especialista. 

A definição de Fabíola se encaixa em muitas das histórias que conseguimos escutar com alguns moradores de rua. É o caso de Magali Silva, de 56 anos. Ela veio para Brasília em busca de melhorar a qualidade de vida e trabalhar na capital federal. Sobre a história de Magali, a resposta foi simples. “Se eu te contar, não vai adiantar nada, o que eu faço é pedir uma ajuda, se eu precisar de alguma coisa eu te falo”.

Magali foi morar na rua depois de tentar resgatar o filho, que atualmente está preso por tráfico de drogas. Ela contou um pouco dessa relação com o rapaz e mostrou que não foi nada fácil. “Eu já cansei de tentar ajudar ele, minha família mesmo está na rua. A gente fica junto, dorme, se ajuda. Prefiro ficar com eles”, completou. Para arranjar dinheiro, a moradora de rua guarda carros no Setor Bancário Sul e até vende drogas para conseguir algum dinheiro para sobreviver. “Nunca pus um cigarro na boca, só uma pinga de vez em quando, mas eu vivo disso. Preciso disso para poder sobreviver.”.


Uma das colegas de Magali também nos contou um pouco sobre ela. Rafaela Souza, de 21 anos, veio do Ceará para Brasília em busca de uma vida melhor. Está na cidade há um mês e já conseguiu realizar um sonho, fazer cirurgia para se tornar travesti. “Consegui virar travesti, graças a Deus e estou adorando Brasília, não tem lugar melhor para viver. Não conheço muita coisa ainda”.


Sobre a rua, Rafaela contou que, apesar da situação, consegue enxergar felicidade e união, coisas que, segundo ela, nunca encontrou ou sentiu antes na cidade natal. Atualmente ela divide espaço com conhecidos na rua, e já fez muitas coisas para tentar sobreviver. “Eu já fiz e tudo um pouco, já me prostitui, já dancei em boates, mas vi que aquilo não era o melhor pra mim e saí. As pessoas daqui acham que a gente é lixo, por isso prefiro morar na rua, que me tratam bem independente e tudo”, concluiu.


Moradores de rua tentam tirar o sustento guardando carros, como Magali. Alguns deles, em vez de comprar uma comida, preferem gastar o dinheiro com drogas e bebidas alcoólicas. Fabíola Ferreira explicou que, do ponto de vista da psicologia, dependentes químicos preferem consumir esses produtos citados a um prato de comida, para amenizar a dor do cotidiano. “Sem dúvida, esse processo se dá pela necessidade da fuga de tudo o que é avesso ao seu redor, pois uma vez “anestesiado” com os efeitos das drogas e do álcool, ela se desconecta do mundo, mesmo num pequeno espaço de tempo”. 


Um personagem muito interessante que a reportagem conheceu foi Leoberto Pereira. Ele tinha uma vida comum. Tinha família, filhos, fez faculdade e trabalhou como eletricista. Entretanto, a droga mudou o caminho e definiu o futuro de Leoberto. O vício em cocaína acabou provocando a perda de tudo o que tinha. Leoberto conseguiu até a morar nos Estados Unidos por um tempo; porém, ao voltar para rever a família em Brasília, foi preso por tráfico de drogas. Atualmente ele vive na rua, não tem mais contato com a esposa e filhos, mas ainda conversa com os pais. Apesar disso, a relação com a mãe quando visita a casa é bastante conturbada. “Eu vou em casa de vez em quando, pra tomar um banho, mas acontece que eu sou muito julgado. Por isso que eu prefiro a rua, nela eu tenho o que preciso, não sou julgado por ninguém”.


Leoberto ainda não conseguiu largar o vício da cocaína. No dia da entrevista, ele nos contou que havia usado droga na noite anterior, mas enxergava que aquilo estava o destruindo e foi em busca de assistência para dependentes químicos no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). “Eu tento me livrar dela, mas até hoje não consegui arranjar algum auxílio para diminuir o consumo. Eu me sinto destituído no dia seguinte, que bate umas “ressaca”, não gosto nem de ver porque sei que vai me fazer mal”, concluiu .


Muitos vivem o dilema das drogas, mas encontramos um exemplo de superação com Fabiana Pereira da Silva, de 43 anos. Ela tem familiares ao redor do Plano Piloto, mas ainda prefere morar na rua. Fabiana vende uma revista cultural para tirar o sustento do dia a dia. Ela mora com um companheiro que dá suporte afetivo para ela. Os filhos e netos do casal moram hoje na casa dos parentes. “Hoje eu sou muito contente na rua, apesar de sentir muita saudade dos meus filhos e netos, é melhor pra eles”.


Com relação à droga, Fabiana teve uma relação próxima com o crack. Depois dos filhos e do trabalho, começou a ter maior consciência sobre a degradação que o uso causou e a necessidade de maior responsabilidade. Fabiana infelizmente não interrompeu o uso totalmente, mas agora ela não quer voltar para a situação de antigamente. “Hoje eu não me sinto bem usando a droga, não gosto nem que falem esse nome perto de mim. Estou me esforçando bastante para que um dia eu consiga voltar a ficar perto dos meus filhos de novo”.


Apesar dessas histórias tristes, a maioria dos entrevistados seguem as rotinas com um sorriso no rosto. Independentemente dos problemas que enfrentam, eles levam com alegria. É o que nos contou o morador de rua e músico, Davi Silva, de 36 anos. Na rua desde os sete anos de idade, teve uma experiência triste antes de sair de casa: a morte da mãe. Depois disso, Davi foi parar na rua, mas com o passar do tempo a vida melhorou bastante. Na música, encontrou uma espécie de salvação para o sofrimento.


Na igreja aprendeu a tocar violão e a cantar e, com isso, começou a trabalhar com a música. “Hoje em dia eu agradeço muito as experiências que eu tive para poder tirar todo o sofrimento. Estou estudando música numa faculdade e estou com meus projetos”, disse o músico.


Um morador que frequenta o Centro POP desde a abertura é o senhor José Pereira da Silva, de 56 anos. Ele busca auxílio de alimentação e ainda realiza muitas atividades com o pessoal que frequenta a unidade na Asa Sul. José tem familiares no entorno, porém, também é mais um que vive na rua por opção. “É complicado viver na rua, mas a gente acaba se acostumando e com as pessoas certas, eu até prefiro dormir em qualquer canto da cidade”, disse José.


É comum que muitos casais se formem nas ruas. É o caso de Keli Souza e  Ricardo Souza, de 31 e 23 anos, respetivamente. Cada um buscou no outro auxílio para sair da situação de dependência química. Keli conta que o marido foi e é fundamental. “Se não fosse por ele, eu acho que eu estaria sofrendo muito, ou até morte. Me prostituí desde nova, tudo para usar o dinheiro para comprar crack, com esse minha opção, eu engravidei e tive quatro filhos, que moram com alguns familiares meus”, conta Keli.


Já Ricardo passou por uma situação parecida com a da mulher. Teve a experiência com as drogas e a vulnerabilidade da rua, assim que conheceu a esposa, se sentiu na obrigação de ampará-la. “Ela é tudo pra mim. A gente se conheceu na rua, a gente se uniu e se fortaleceu. Não uso mais droga e agora eu estou estudando, nunca pensei que fosse gostar tanto disso. Vamos todos os dias buscar mais conhecimento”, completou Ricardo.


Atualmente os dois trabalham vendendo revistas culturais, a mesma de Fabiana. Keli conta que tem vergonha de pedir dinheiro, ela prefere trabalhar. “Hoje em dia eu não preciso mais pedir dinheiro na rua, com o meu trabalho eu consigo me virar na vida. Estudando e trabalhando, tenho ficado cada vez mais longe das drogas” completa e vendedora.


Pessoas são atraídas por Brasília. Tanto pelo fato de ser a capital do país, quanto por ser um local muito bom para melhorar a qualidade de vida. Mais uma personagem da reportagem conta que veio para o Distrito Federal por esse motivo. Edelzuita de Jesus, de 57 anos, veio pra o Planalto Central em busca de uma vida melhor, mas, uma doença degenerativa complicou um pouco a vida dela.


Sem família na cidade, apenas amigos que faz dentro do acolhimento do Centro POP dão auxílio para ela. “Eu tenho muito a agradecer a todos que vivem me ajudando. Eu tenho família, mas não moro mais com ele já faz muito tempo. Esses dias vi minha filha pela Internet, junto da minha netinha, e tenho muita saudade delas”, conta Edelzuita. Ainda na esperança de um dia voltar para os braços da família, ela segue a vida do jeito que pode. E um dia, quem sabe, chegar a rever a filha. 

Aqui no Distrito Federal há centros de acolhimento para moradores de rua, conhecidos como Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP).  Neles os moradores conseguem tomar banho, lanchar, descansar com mais tranquilidade. A reportagem foi ao Centro da Asa Sul, e lá conversamos com o diretor e da Unidade Luan Carvalho, que nos contou um pouco mais.  “Aqui nós tentamos acolhê-los da melhor maneira possível. Fornecemos um lanche, deixamos banheiros à disposição para tomarem banho. Atividades também são feitas por aqui, para que haja uma descontração com os moradores de rua que passam por aqui”, conclui Luan.

Centralizado

Em meio às árvores da quadra 202 norte é possível enxergar um colchão com cobertor vermelho xadrez bem engomado. É a casa de Costinha, única referência que o homem diz ter sobre o nome. Durante o dia a dia corrido da quadra comercial, onde vários transeuntes cruzam as ruas a todo momento, o paraibano de 42 anos se esconde debaixo do pedaço de tecido encontrado em um lixo dos prédios residenciais. Ele conta que é melhor se esconder quando o fluxo de pessoas é grande.
Conduzido por duas vezes até abrigos da cidade, Costinha afirma que a decisão de deixar os locais aos quais foi destinado surgiu por causa do vício. O problema para ele é o álcool. E este é o mesmo motivo que o fez sair de casa. Ele conta que, aos 17 anos, deixou a cidade onde morava no agreste da Paraíba. No município de Cuité, as condições de vida eram difíceis e a mãe, já falecida, o mandou procurar trabalho na cidade grande.
"Me perdi", diz o morador de rua ao acrescentar que "está acostumado" com a vida que leva. "Quem está na rua entende a rua".
Questionado sobre a violência à qual está exposto, Costinha parou para pensar durante alguns segundos. A resposta parecia engasgada. Até que relevou: entre os maiores medos está o do "olhar torto" de quem passa por ali.
Veterana

Maria Antônia Fernandes da Silva tem 63 anos e está na rua há pelo menos 30. Com problemas dentários e com a saúde debilitada, dona Maria conta que uma das maiores dificuldades está na hora de comer. Além das dores, falta força na arcada dentária para a mastigação.
Sem a maior parte dos dentes, a pronúncia das palavras também se torna difícil, lenta. Mesmo assim, a senhora magra com cabelos finos e grisalhos não deixa o sorriso de lado. E adora piadas. Enquanto toma conta de carros nas comerciais da Asa Norte  para tentar ganhar dinheiro - mesmo lugar que costuma escolher para dormir - dona Maria conversa com todos que passam por ela. Puxa papo, comenta as roupas das mulheres e até elogia os homens. "Que pão! Você viu? Na minha época a gente chamava os homens bonitos de pão, minha filha", contou.
De acordo com ela, a maior saudade é das filhas. Maria Antônia contou que saiu da periferia de São Luís, no Maranhão, quando terminou o casamento com o pai das duas meninas. A ideia de vir até a capital federal estava ligada às melhores condições de emprego. Mas, ao chegar, percebeu uma realidade diferente da que escutava quando em terras maranhenses.
"Não encontrei trabalho e também não consegui mais voltar para casa. Não tenho contato com minha família desde os 40 anos", disse. Mesmo com todas as dificuldades, ao pedir para dona Maria descrever a vida em uma palavra, a escolha foi "esperança". "Temos que ter [esperança] para acreditar que vamos acordar amanhã, né?", indagou.
Essas pessoas têm diversos motivos para seguir em frente e conseguir uma vida mais tranquila, sem as adversidades da rua. Neste mês em que comemoramos mais um aniversário da cidade, o cenário brasiliense é marcado pela história de cidadãos como Leoberto, Edelzuita, Keli, Ricardo, Davi, Costinha, Maria Antonia, Magali, Rafaela e Fabiana, dentre outros.

Confira reportagem para o Jornal Esquina:




Por Felipe Alcides e Victor Fernandes 

Colaboração Iris Cruz e Patrícia Cagni

Esportes radicais fazem sucesso no Cerrado

Os esportes radicais são assim chamados, devido ao elevado grau de risco ao quais os atletas são submetidos. O esforço físico e o controle emocional são imprescindíveis.  Alguns rotulam como insanidade, estupidez e, em alguns casos, até suicídio. Para os praticantes, a adrenalina trazida por esses esportes é a possibilidade de enfrentar os medos e ultrapassar os próprios limites.


São várias as opções para aqueles que amam, ou simplesmente têm vontade de se aventurar em esportes radicais. Skate, escalada e asa delta são modalidades praticadas no cerrado brasileiro. Nossa reportagem foi conferir de perto essas aventuras, veja neste vídeo. 





Asa delta  

No site da  Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL) é possivel encontrar o calendário dos campeonatos que acontecem no país, além de rankings, notícias, fotos, vídeos e informações sobre o esporte em geral. 


Skate 

A entidade que representa o skate no Brasil é a Confederação Brasileira de Skate. No Distrito Federal, a Federação do Skate do Distrito Federal é a responsável por disponibilizar o calendário de campeonatos, rankings, fotos e informativos. 

Escalada

No site da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, há informações do calendário de competições, locais adequados para prática, além dos princípios e valores do esporte no Brasil.


Estudante Pedro Lim pronto para escalar em Cocalzinho - GO. O local é ideal para a pratica do esporte.
Confira aqui a matéria completa publicada no Jornal Esquina impresso.

http://issuu.com/blogdoesquina/docs/cerrado_com_adrenalina_-_daniel_gon


Por Daniel Gonzaga 

Lago Sul é a região do DF com maior diferença de renda por gênero

Risco de gravidez é o principal motivo para o menor salário feminino, afirma especialista



No Lago Sul, região administrativa, com maior índice de desenvolvimento humano (IDH) do Distrito Federal, também é possível constatar diferenças salariais entre homens (R$ 13 mil) e mulheres (R$ 8 mil), conforme pesquisa “As mulheres no Distrito Federal e nos municípios metropolitanos - Perfis da Desigualdade”, realizada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). A pesquisa apontou dados que mostram que a disparidade de oportunidades é presente no campo profissional e domiciliar.A diferença salarial mostra uma desigualdade severa, tendo em vista que os homens chegam a receber 62% a mais. O sexo masculino também domina a responsabilidade residencial. Além disso, a pesquisa aponta que apenas 18% das casas da região são mantidas pelas mulheres.

                        Um terço das casas no DF tem mulher como chefe de família
                        Mulheres do DF ganham até 46% menos do que os homens


Motivos

O professor de economia na Universidade de Brasília (UnB), Carlos Ramos, explica que o risco da gravidez faz com que as mulheres, mesmo as de classes privilegiadas e elevada grau de instrução, tendam a receber um salário inferior para compensar os custos da maternidade. “Mesmo no setor público, com concurso, ainda existe a discriminação pelo fato de serem mulheres. Isso acontece com algum tipo de gratificação não dada a elas”, disse.

Para o professor, uma das soluções de longo prazo seria a participação política da mulher, que gradativamente tenderia a diminuir a desigualdade. Outro recurso, segundo ele, seria a aplicação de uma política pública que estimule a educação. “Dessa forma seria quebrado o ciclo vicioso de quanto mais pobre, mais filhos e menos trabalho”. Ramos ressalta que alguns países árabes são mais discriminatórios, enquanto que nos nórdicos, como Suécia, Finlândia e Noruega há menos desigualdade. “O Brasil tem um nível de discriminação médio com relação ao mundo”.


    Foto: Portal da Copa do Mundo 

Moradores

De acordo com o procurador geral do Distrito Federal, Plácido Ferreira, e morador do Lago Sul, a diferença de salário entre homens e mulheres é uma questão que está prestes a terminar, pois elas estão lutando pelo seu lugar no mercado de trabalho. “As mulheres estão mostrando para sociedade que têm a mesma capacidade que os homens”. O procurador geral tem quatro filhos e ressalta que as despesas da casa são divididas com a esposa. “No serviço público já há uma paridade em relação à distribuição de rendas, e em pouco tempo no mundo dos negócios também será assim”, disse.

Confira aqui a pesquisa da Codeplan

O casal Diogo Ribeiro e Abigail Ribeiro é morador há 22 anos do Lago Sul acredita que a igualdade salarial baseada no gêneros sexuais ainda está muito longe de ocorrer. Apesar de possuírem o mesmo nível de escolaridade, Abigail sempre ganhou um salário muito inferior ao do marido, Diogo. Ela acredita que isso aconteceu por uma questão cultural e que há muitos anos está enraizada no Brasil. Segundo ela, o homem é socialmente pressionado a trabalhar, a ganhar mais e a pagar as contas, enquanto, a mulher possui o papel social de zelar pelos filhos e pelo lar.

Abigail ressalva que nunca pensou no marido como a única fonte de renda da casa, porém é ele que administra o lar. “Enquanto ele garante o luxo, eu garanto a minha independência”, afirmou.
Diogo Ribeiro afirma que o Lago Sul é o bairro com os maiores salários por residência, com muitos homens no ramo empresarial. “Enquanto em outras áreas do DF com características semelhantes, muitos casais de funcionários públicos concursados têm salários mais equiparados”.

A moradora do Lago Sul, Luísa Abdala, ainda sofre com a discriminação baseada nos sexos. Ela e o irmão, Carlos Abdala, optaram por seguir a mesma carreira, porém Luisa recebe aproximadamente R$ 5 mil a menos. Luísa explica que a formação dos dois é a mesma: “estudei na mesma faculdade que meu irmão, falamos os mesmos idiomas, temos as mesmas capacitações na área e ainda trabalhamos na mesma empresa. Mesmo assim ele recebe muito mais do que eu. No Brasil, ainda existe sim muita diferenciação salarial”.

Ouça aqui a entrevista de Carlos Abdala

Por Érica Fontoura, Luíza Gutierrez, Patrícia Lélis, Thaís Betat - Jornal Esquina

Frigoríficos são os alvos diretos de medida do Ministério Público


Raul e Cleuma

O MP encaminhou recomendação ao BNDES para que não passe dinheiro para empresas que causem prejuízos ambientais. Isso faz parte de um processo bem sucedido de embargo à carne ilegal.

As ações de Estado para estimular diferentes áreas da atividade humana (seja social, econômica ou política) podem ser elaboradas de forma a garantir vantagens aos envolvidos, como os chamados incentivos fiscais. Assim é na cultura, como a lei Rouanet e a Lei do Audiovisual por exemplo. Mas também podem ser promovidas ações de caráter punitivo, como a recente recomendação feita pelo Ministério Público para que concessões de crédito provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) só possam ser feitas a partir da observação de princípios socioambientais. A determinação vai além: determina ainda a suspensão de  financiamento já concedido aos empreendedores pecuaristas e frigoríficos que não estejam adotando medidas para o cumprimento da legislação ambiental e social.

 Documento neste sentido foi encaminhado ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho, pelo Ministério Público Federal. A base para atuação recomendada pelo MP é a política socioambiental do próprio BNDES, estabelecida em outubro de 2009. A instituição assumiu a postura ser de fundamental importância o respeito a estes princípios na concessão de crédito e estabelece o compromisso de “disponibilizar" recursos para a promoção de atividades social e ambientalmente sustentáveis.” Tal postura foi disponibilizada no próprio site da instituição.

Há diversas formas de se trabalhar tais questões como por exemplo as empresas frigoríficas e de abate de animais. Neste caso, elas precisam comprovar, para garantir a concessão – ou a preservação – de créditos do banco, que os respectivos fornecedores não estão condenados por invasão de terras indígenas, discriminação, por trabalho infantil ou escravo. A lista destes fornecedores tem de ser atualizada.

Considerando-se só o setor frigorífico, não é pouca coisa. Os dados do BNDES demonstram que, em quatro anos, entre 2010 e 2013, foram liberados financiamentos ao setor no valor de R$ 3.135.474.749,00 (três bilhões, cento e trinta e cinco milhões, quatrocentos e setenta e quatro mil, setecentos e quarenta e nove reais). Some-se a isso uma atividade pertinente, o setor pecuarista, que por sua vez recebeu créditos da ordem de R$ 10.633.212,00 (dez milhões, seiscentos e trinta e três mil, duzentos e doze reais).

 As medidas a serem tomadas são de âmbito administrativo, mas não atingem apenas os créditos concedidos pelo BNDES. A recomendação do Ministério Público serve tanto para os créditos concedidos diretamente pelo banco como para aqueles concedidos por entidades bancárias intermediárias, chamados de agentes financiadores credenciados que utilizam recursos provenientes do próprio BNDES.



Região rural do Paranoá convive com saúde precária

Por Stella Maris

Em Sobradinho dos Melos, área rural do Paranoá, não há nenhum posto de saúde. Os moradores contam com a ajuda de uma assistente de saúde do Paranoá, que tem a função de marcar as consultas para os moradores. Nos dias marcados, todos se deslocam até o hospital. Apesar disso, os pacientes reclamam que a demora no atendimento é grande. “A verdade é que a saúde é ruim. Tem muita gente e poucos médicos. Às vezes perco o dia inteiro esperando uma consulta que pode ser feita rapidinho”, reclama a dona de casa Carmem da Silva.
E não é de hoje que os moradores pedem por um posto de saúde. “O posto de saúde é uma reivindicação antiga da comunidade, não adianta fazer um posto e abandonar, não são apenas quatro paredes. Posto de saúde é atendimento, enfermeiro, material. Precisa funcionar. O ser humano está jogado nos corredores”, comenta o vice-diretor da Escola Classe Sobradinho dos Melos, Antônio Carlos.

A Diretoria de Atenção Primária à Saúde do Paranoá esclarece que a comunidade era atendida anteriormente pela Equipe de Saúde da Família do Altiplano Leste, que foi desativada por falta de espaço físico. Ela informa que existem verbas para construção de Postos de Saúde, mas a falta de terrenos públicos destinados à saúde dificulta a construção, tanto na área urbana como na rural.

Já na comunidade do Café sem Troco, que fica a quarenta quilometros do Paranoá, uma vitória é bastante comemorada: foi inaugurado recentemente um posto de saúde no local. Mas, se não fosse à boa vontade dos moradores, talvez esse sonho ainda não tivesse sido realizado. “A comunidade bancou a construção e depois foi entregue para a Secretaria de Saúde para colocarem médicos e equipamentos”, comenta Damião Firmino Gomes, Presidente da Assossiação de Produtores e Moradores. “Um posto de saúde não se cria de um dia para o outro. Para isso é necessario recursos. Com a festa de inauguração, ficou em torno de R$ 60 mil”, acrescenta Damião.

Teatro vira opção de lazer para a terceira idade

Por Gabriela Lapa

Eles trocam os trabalhos manuais, os carrinhos dos netos e as tampas das panelas por sapatos de dança, cenários e figurinos.  As cruzadinhas dão espaço à leitura e ensaio de peças teatrais no exercício da memória. O grupo teatral ASA’S Companhia de Teatro é formado por cerca de oito idosos. Eles realizam os encontros em espaço cedido pela Casa da Cultura, um projeto vinculado à Administração Regional do Guará.
A professora aposentada Inad Fernandes, 72 anos, descobriu o teatro depois que a terceira idade chegou. “Passei a viver. Quando mais nova, cuidei de casa, de filho, do marido, do neto... mas não mais. Agora sou independente e minha vida é essa. Se tirar o teatro e a dança de mim, fico inválida", declara Inad.

 O diretor do grupo, Juca Costa, sempre trabalhou com teatro.  Aos 74 anos, ainda afirma ser completamente apaixonado pela profissão. “Teatro é a minha vida. Quando estou no palco e me maquio, é a coisa mais deliciosa e a mais maravilhosa”. Segundo Juca, a Companhia está à disposição para quem deseja entrar para o mundo do teatro, seja idoso ou jovem.  “Se você for inibido, vai desinibir”, garante o diretor.

Falta de segurança marca o condomínio Sol Nascente

Por Maria Helena Lopes


O Sol Nascente é um condomínio da cidade de Ceilândia localizado a 40 minutos de Brasília. De acordo com o site do GDF, é a maior ocupação irregular do Distrito Federal, com 56 mil habitantes. Porém, a administração local afirma que 150 mil pessoas moram na região. Ele ocupa atualmente a primeira de três etapas de regularização.
Dentre os diversos problemas enfrentados pelos moradores, a segurança é o mais preocupante. As ruas não são asfaltadas e as erosões aumentam no período da chuva. Devido ao grande volume de ocorrências, nem todas são atendidas. O posto policial, que fica na frente do condomínio, dispõe de apenas dois oficiais. Segundo o cabo Kleber Ramos, não existem viaturas disponíveis para a realização das rondas. “Não tem infraestrutura. Os moradores anotam e ligam para o 190 que resolver a ocorrência”, afirma a autoridade.

A moradora Kaline Fernandes, 32 anos, funcionária do Colégio Adventista de Taguantinga, vive no Sol Nascente há cinco anos e considera a segurança péssima. Ela sai para trabalhar por volta das cinco horas da manhã e afirma sempre ver muitos bandidos. “Já fui assaltada três vezes. Rondas na frente da minha casa não existem. Só quando ligamos que os policiais atendem os pedidos”, lamenta Kaline. A assessoria de imprensa do 8º Batalhão de Polícia Militar de Ceilândia informou que registra uma média diária de quatro ocorrências por dia.

Ritmo e poesia black na capital federal

Por Ana Nery

O rap foi criado nos pobres bairros norte-americanos de Nova York, na década de 1970 . O ritmo só foi chegar a Brasília em 1992. A primeira produção candanga foi realizada no mesmo ano, com o disco Peso Pesado, do rapper Gog, que faz sucesso até hoje entre os jovens. Segundo o cantor e compositor Bruce Oliveira, mais conhecido como Capone, geralmente os shows são compostos por uma dupla. O DJ é o responsável pelos efeitos sonoros junto com as trilhas, enquanto o MC canta as letras.

 Atualmente existem pessoas que fingem viver determinada realidade dentro do mundo do rap, conta Capone. “Às vezes a pessoa não é pobre, não vive no meio da bandidagem, mas nas letras se fala muito disso. Porém, isso acontece pelo fato de ter um público que gosta e adquire o material”. Mas esse não é o ideal de quem vive no meio musical, destaca o cantor. “Nós cantamos a nossa realidade”, esclarece.

As roupas largas e a batida pesada são características que assustam algumas pessoas que passam e observam Capone conversando e cantando. “As pessoas tendem a olhar com ‘olho torto’ para todas as pessoas que fogem bastante do normal. Exatamente por não estarem acostumadas, é algo que foge dos padrões”, comenta.

Um dos efeitos sonoros mais conhecidos no rap é o scratch, som provocado pelo atrito da agulha do toca-discos no vinil. De acordo com Capone, esse é um diferencial que atrai muitas pessoas para o mundo das baladas “black”. “Os adeptos são apaixonados pelo que fazem, pela batida, pelas letras. E respeitam o gosto de todos”, afirma o rapper. “Acho legal que algumas pessoas não curtam a música, pois mostra que elas gostam realmente de outros estilos”, finaliza o compositor.

Projeto busca auxiliar comunidades carentes por meio de inclusão digital


Por Luisa Ikemoto

 Uma iniciativa promete mudar a realidade das comunidades carentes do Distrito Federal a partir da inclusão digital. É essa a ideia da professora Adja Rego, uma das responsáveis por trazer para Brasília o projeto que nasceu no Rio de Janeiro há 15 anos. Ela conta que usa a informática como porta de entrada para ter acesso aos jovens das regiões mais carentes do DF. O programa funciona integralmente pelo próprio interesse da comunidade, que procura conforme as próprias necessidades. Para passar o conteúdo, professores especializados atuam na área com aulas de informática para a população.

Até mesmo o material é resultado de doações. Os computadores utilizados no projeto foram doados pelos próprias pessoas da cidade. A professora conta que na Estrutural as instalações usadas ficam em uma igreja. Com a estrutura montada, os professores reúnem-se com as turmas e escolhem um tema de interesse comum. A partir de então, os jovens aprendem a usar computadores e navegar na internet, o que resulta em uma melhora de autoestima, em uma formação mais completa, e em novas oportunidades para os envolvidos.

Os alunos formados viram monitores, e dessa forma, com a estrutura estabelecida e instrutores da própria comunidade, os professores podem se retirar e se concentrar em outras regiões administrativas. A iniciativa, que já chegou até a atuar em outros países da América Latina, passa agora por uma fase de reformulação.

Escalada vira paixão para brasilienses que gostam de se exercitar

Por Raisa Nunes



Boulders, vias, regletes, crashs, magnésio e mosquetões. Essas são as palavras mais conhecidas do vocabulário dos esportistas apaixonados por escalada. O esporte que cada vez mais ganha espaço em Brasília é considerado pelos praticantes uma filosofia de vida. Além de exercitar força, equilíbrio e elasticidade, o desenvolvimento motor de cada músculo do corpo também é trabalhado.

Os chamados “boulders” são uma modalidade de escalada em blocos de pedra baixos, com até sete metros de altura. Sem cordas, a única segurança são os “Crashs Pads” – colchões de espuma especialmente desenvolvidos para este propósito – que são posicionados na base da pedra. A segurança de corpo também é feita com a ajuda de um colega que apara a queda, a fim de direcionar o escalador aos crachs. Para evitar o suor nas mãos e, consequentemente que elas escorreguem, eles utilizam o pó de magnésio.

A altura vai bem mais além quando se fala em “vias esportivas”. São pedras acima de 10 metros que alcançar paredões até 70 vezes maiores. Dessa forma, os equipamentos de proteção são indispensáveis. Os mosquetões – anéis metálicos – são usados para o auxílio de cordas e cadeirinhas. Segundo Gabriel Bello, empresário e estudante de ciências da computação, a prática da modalidade de vias é feita somente em duplas, onde um faz a segurança do outro.

A assistente administrativa Fabíola Xavier, 28 anos, reforça que é necessário estar em vigia. “Por ser um esporte radical, a segurança é fundamental tanto nos equipamentos quanto da pessoa que auxilia o escalador”, afirma. Escaladora há sete anos, Fabíola conta que a quantidade de mulheres praticantes do esporte tem aumentado significativamente. “A escalada vem se tornado cada vez mais popular e, consequentemente, aumenta o número de mulheres praticantes. No entanto, ainda é pequeno em relaçao ao público masculino”, explica. 

A consciência ambiental também é necessária para os escaladores que querem alcançar o topo da pedra. Normalmente os lugares mais procurados por eles estão em meio ao cerrado. “O local onde se pratica o esporte muitas vezes é completamente selvagem e pouco visitado pelo homem, exigindo assim que tenhamos respeito e cautela, degradando o mínimo possível para não prejudicar a fauna e flora nativa”, afirma Gabriel Bello.

Polícia prende rival de Cachoeira e estima que ponto de jogo ilegal rende até R$ 20.000 por dia

Por Willian Farias

A Polícia Civil do Distrito Federal (PC/DF) prendeu nesta sexta-feira (14/9) um suspeito de ser o contraventor rival de Carlinhos Cachoeira na disputa pelos pontos estratégicos do jogo ilegal. De acordo com informações da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), o homem tinha envolvimento em três dos sete cassinos interditados no Distrito Federal durante a operação Jackpot. Ela é responsável por prender três suspeitos de participar da organização ilegal de Cachoeira.

O delegado responsável pelo caso, Fernando Cocito, diz que o suspeito detido fornecia as máquinas de jogo para o interessado, e em troca cobrava 60% de todo o rendimento obtido com o jogo. Cocito afirma que cada ponto rendia em média R$ 10.000 a R$ 20.000 por dia. Nesse caso, o contraventor poderia lucrar, com apenas um ponto, até R$ 360.000 em um mês.

Segundo o delegado, o grande esquema de negócios dos contraventores está no estado de Goiás. No entanto, o lucro alto da empreitada leva os líderes do jogo ilegal a desejarem expandir o mercado. "Acontece que essas casas são muito lucrativas. Se as máquinas funcionarem durante cinco dias, já é o suficiente para pagá-las por completo”, explica Cocito.

Queda da criminalidade no Guará não tranquiliza moradores

Por Eduardo Aiache

O Guará está mais seguro. Pelo menos é o que indicam os dados do último levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. A pesquisa aponta uma queda nos índices de criminalidade da cidade. Só nos últimos três meses, a quantidade de roubos e furtos diminuiu cerca de 50 %. O estudante de publicidade do UniCeub, Juarez Júnior, 21 anos, reclama que ainda não se sente seguro na região. “O que eu observo é que a violência não está mais só na quadra 38, mas sim em todo lugar no Guará, não importa se é de dia ou de noite”, diz Juarez.

A 4ª Delegacia de Polícia, responsável pela região administrativa do Guará, informa que, no mês de julho, foram registradas 55 ocorrências policiais. No mesmo período do ano passado, esse número ultrapassou 100 ocorrências.

Segundo o comandante do 4º Batalhão da PM do Guará, coronel Antônio Carlos de Santana, a diminuição se deve ao reforço do policiamento nas ruas da região. Ele ressalta também o trabalho integrado entre as polícias Militar e Civil, Detran e Corpo de Bombeiros. “Desde que assumimos o comando da região há três meses, pelo menos 40% da criminalidade diminuiu em todos os aspectos”, relata o comandante.

Para o administrador da cidade, Carlos Nogueira, a participação da comunidade é essencial para a criação de novas táticas com o objetivo de diminuir a criminalidade. ”O que mais tem contribuído para essas estatísticas é a interação da comunidade no combate ao tráfico de drogas, da criminalidade”, afirma Carlos. Segundo ele, só com a denúncia da população será possível diminuir ainda a criminalidade no Guará.

Japão para todos: quermesse no templo budista

Por Rodolfo Costa

Famosa por difundir a cultura japonesa em Brasília, a tradicional Quermesse do Templo Budista chega à 39ª edição. Todos os anos milhares de pessoas visitam o templo para contemplar a beleza, conhecer um pouco da religião e comer o delicioso yakisoba. Segundo o coordenador da Quermesse, Lucas Victor, a festa aumentou exponencialmente e ganhou maior notoriedade nos últimos anos. “De 2000 para cá, cerca de mil pessoas visitavam o templo por dia. Hoje, o número varia de 4 a 7 mil”. Porém, o que mais chama a atenção de todos é a variedade de grupos que visitam o estabelecimento.

Fãs da cultura japonesa costumam se encontrar no templo anualmente. Seja para colocar o papo em dia ou dançar no ritmo pop da matsuri dance. O voluntário Eduardo “Kon” frequenta o templo budista há cinco anos e tira da música e coreografia valores que passa aos visitantes. “Essa cultura transmite ensinamentos do bem. Não existem preconceitos. Ensina para as pessoas a importância da amizade”, comentou. Lucas Victor endossa a opinião do voluntário e afirma que os apreciadores da cultura pop japonesa levam ao templo uma singularidade que não se vê em outros lugares.

Em novo horário, o templo tenta atrair ainda mais pessoas para a Quermesse. Prova disso são as diversas famílias que comparecem para prestigiar a culinária e costumes religiosos. “O esforço que tem sido feito ano a ano é tornar a festa ainda mais agradável. Para isso, tentamos trazer sempre atrações interessantes”, garante o publicitário Jorge Franco, contratado pelo templo para aperfeiçoar a organização. O evento ocorre em todos os finais de semana do mês de agosto. É uma ótima atração para quem tem gosta da cultura japonesa ou tem interesse em conhecer. “O templo une pessoas de gostos diferentes em um só lugar. É uma festa singular que conta toda uma história”, diz a estudante Carolina Abreu, participante da Quermesse.

Procon lança serviço de atendimento online ao consumidor


Por: Vívian Azeredo


Já está em funcionamento desde o começo deste mês (1º/06) , o Procon Digital, serviço de atendimento ao consumidor online. De acordo com a Secretaria de Justiça do DF ( SEJUS) , o projeto tem como objetivo facilitar a vida da população, reduzindo as filas de espera e também dobrando o número de atendimentos totais.  Durante 90 dias, o projeto estará em fase de teste.

Para quem deseja utilizar o serviço, é necessário se cadastrar no site com nome completo, e-mail, localização e contato. O usuário que for fazer a denúncia contra a empresa que desrespeitou o consumidor ainda terá a opção de anexar fotos e documentos. O serviço online possibilita fazer denúncias e pedir orientação no caso de alguma dúvida. O prazo para o atendimento é de no máximo 72 horas. 

Para o universitário Christian Thomas Oncken, o serviço tem grandes chances de facilitar a vida da população.  ‘’ Além de evitar o deslocamento, as filas, o serviço ainda traz rapidez e, portanto, atenderia melhor grande parte da população que tem acesso à internet’’, disse.

Já a dona de casa Luciana Ribeiro não acredita que o Procon Digital vá funcionar. ‘’Como outros serviços da mesma natureza, haverá muito atraso, lentidão no sistema e o atendimento físico ainda ficará comprometido em relação ao comparecimento direto a um estabelecimento do Procon”, critica. 

A assessoria de comunicação do órgão foi procurada, mas não se retornou os contatos.

O horário de funcionamento do serviço online é das 16h às 20h.

Estudantes prestarão vestibular da UnB este final de semana

Mais de 21 mil inscritos em nove cidades disputam as vagas oferecidas

Por Gabriela Sant'Anna e Gabriela Vogado

A estudante Júlia Melo

O segundo vestibular de 2012 da Universidade de Brasília (UnB) será este final de semana. No total, são 21.368 inscritos, que disputarão 4.184 vagas divididas em 96 cursos de graduação. Parte dos inscritos, 844 pessoas, vão participar como treineiros e não disputam as vagas. O curso mais concorrido é o de medicina, com 90,93 candidatos por vaga, seguido de engenharia civil (25,97), direito diurno (24,15), relações internacionais (17,43) e arquitetura e urbanismo (17,03).

A prova será dividida em duas etapas e a primeira será de ciências humanas e redação. No segundo dia, os estudantes responderão as questões de exatas. Além de Brasília, mais nove cidades receberão os concorrentes: Brazlândia (DF), Ceilândia (DF), Gama (DF), Planaltina (GO), Sobradinho (DF), Taguatinga (DF), Goiânia (GO), Valparaíso (GO) e Uberlândia (MG).

Júlia Melo, 17 anos, é estudante do terceiro ano do ensino médio e vai prestar vestibular para comunicação social.  “Estou fazendo esse vestibular só pela experiência, não estou esperando passar, me preparei apenas com as aulas do colégio”.

Vestibular mesmo com greve

A greve que começou na semana passada não atrapalha a data do vestibular. Mas para alunos como Kamilla Turnes, 22 anos, que pretende emendar a primeira graduação num segundo curso, a paralisação das aulas pode ser um problema. No oitavo semestre de administração, Kamilla tem a intenção de também se formar em ciências contábeis. “Quero prestar o primeiro vestibular de 2013.    Mas corro o risco de só terminar o último semestre de administração depois da data limite para o registro dos calouros do vestibular de verão”, conta.

Segundo a Lei nº 12.089 de 11 de novembro de 2009, uma mesma pessoa não pode ocupar duas vagas, simultaneamente, em instituições públicas de ensino superior.

400 mil pessoas sofrem acidente de trabalho por ano no Brasil, aponta Ministério da Previdência Social

Por José Maurício e Elaine Andrade

Número pode ser ainda maior, já que a conta não inclui cerca de 40 milhões de brasileiros da economia informal
O carpinteiro Neny Moura da Silva, morador do Distrito Federal, é uma vítima de acidente de trabalho. Em dezembro do ano passado, às vésperas do Natal, ele caiu de uma escada, numa altura de 1,5 metros, enquanto trabalhava em uma obra, em Águas Claras. Neny quebrou o tornozelo em dois lugares e teve fratura exposta. Ele conta que foi encaminhado imediatamente a um hospital público. Mas o carpinteiro ficou com sequelas, ele teve a perna esquerda reduzida em 15 centímetros.
 “Fui operado no dia seguinte e talvez tenha que passar por mais uma cirurgia”, relata o trabalhador. “O médico disse que só o tempo vai dizer se eu vou voltar a andar normalmente”, completa.    
A advogada Andréa Pilotti explica que nesses casos a primeira medida, após os socorros médicos, é procurar a Justiça. “O trabalhador tem direito à estabilidade profissional. Isso quer dizer que ele pode requerer a continuidade de seu registro na empresa para que possa receber o auxílio-acidente.”.
A empresa é responsável pelo acidente na medida em que não fornece equipamento de segurança adequado para a execução do trabalho. Esse direito está garantido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), independentemente se o empregado for contratado em regime de carteira assinada.
É do auxílio-acidente que Neny vive atualmente. Casado e pai de dois filhos, ele conta que teve sua renda reduzida em R$ 100 desde que passou a receber o benefício, concedido pela Previdência Social. “Esse dinheiro faz muita falta para pagar luz, água e outras despesas”, lamenta.
De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho, só na 10ª Região, que compreende os estados do Distrito Federal e Tocantins foram recebidas 1.675 ações trabalhistas referentes a acidentes de trabalho no ano passado, sendo 1.269 no Distrito Federal e 234 no Tocantins.

Licitação para renovar a frota de ônibus no Distrito Federal é adiada para atender a sugestões do Ministério Público

Por Dener Giovanini e Erika Suzuki


Após receber sugestões do Ministério Público, o governo prorrogou em 40 dias o prazo para licitação dos novos ônibus no Distrito Federal. Entre as principais alterações, está a renovação de 90% a 100% da frota. A substituição dos ônibus será feita de uma vez e sem aumentar o valor da passagem. A proposta inicial era trocar, no máximo, 15% da frota antiga, sendo que o restante seria renovado gradativamente.

Para evitar o aumento das tarifas, somente ônibus articulados, os BRTs, que circularão nos corredores exclusivos, virão equipados com ar-condicionado. O aparelho será opcional nos demais.

Outra mudança é a adoção de veículos movidos à energia elétrica e biodiesel para reduzir a emissão de poluentes.

Todos os veículos serão monitorados via satélite por um centro de controle operacional. O objetivo é evitar os atrasos e possibilitar aos passageiros a consulta dos horários dos coletivos que serão enviados pela internet e disponibilizados em painéis nas paradas de ônibus.

As medidas são aguardadas com ansiedade pela população da cidade, que reclama das condições atuais dos ônibus. “A rodoviária é um depósito de ônibus velhos”, reclama Darli Machado, 49 anos, moradora de São Sebastião. “Já cansei de pegar ônibus quebrado. Muitas vezes, chove dentro do coletivo”, conta.

Essa também é a opinião de Edson Justino, 39 anos, balconista. “O transporte público está péssimo. Faltam linhas, os ônibus atrasam, a frota é muito velha. A média de idade dos coletivos é de 14 anos, e deveriam ser trocados com, no máximo, sete”, avalia.

A licitação dos novos ônibus está prevista para acontecer dia 28 de maio e a renovação da frota se inicia ano que vem. Em entrevista à Agência UniCEUB, o subsecretário de políticas de transporte e trânsito, Luís Fernando Messina, diz que haverá integração do sistema e operação por regiões. "O DF tem uma característica peculiar. Ele é extenso e concentra empregos no centro. Resolveu-se, por isso, operar por bacias", explicou.



Frota do DF é antiga e será renovada (Antonio Cruz / ABr)


População dividida sobre projeto que pretende usar lago Paranoá como fonte de abastecimento de água

Por José Maurício

O ex-presidente do Ibram e professor da UnB, Gustavo Souto Maior, garante que Caesb já possui autorização da Agência Nacional de Águas para implantar a medida

O pesquisador explicou que a barragem de Santa Maria e a barragem do Descoberto não são suficientes para atender a demanda da população do Distrito Federal por água. Por isso, o especialista em gestão ambiental afirma que o governo vai usar o lago como fonte de abastecimento. “As barragens são suficientes para atender 90% do DF. Os outros 10% vêm de pequenas captações”, disse o especialista.
A moradora da Asa Sul Paula Ferri desaprovou o possível projeto: “Sou contra, acho que a retirada de água do lago Paranoá significa o primeiro passo para a degradação de um de nossos maiores cartões-postais.”.
“Depende de como será feito, porque se a população precisa de água, é bom que usemos o lago. Mas Brasília é muito seca, então temos que ficar de olho no prejuízo que isso pode trazer.”, ponderou Carolina Kairala, estudante de Direito.
Já a dona de casa Maria do Carmo afirma que, para ela, não vai fazer diferença. “Eu moro em Taguatinga, para mim tanto faz, esse lago não chega aqui mesmo. Talvez com essa ideia, pare de faltar água lá em casa.”, considera.
Procurada pela reportagem, a assessoria da Caesb não quis se manifestar.

Lago Paranoá será usado como fonte de água para população de Brasília, aponta professor da UnB

Por José Maurício


De acordo com o ex-presidente do Ibram, CAESB já possui autorização para implantar um projeto que garante abastecimento de água por meio do lago

O ex-presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e professor da Universidade de Brasília (UnB), Gustavo Souto Maior, especialista na área de gestão ambiental, afirma que a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB) possui um projeto com o objetivo de usar o lago Paranoá para suprir a demanda da população do DF por água.
Segundo o professor, a ideia já possui a autorização da Agência Nacional de Águas (ANA), órgão do governo responsável por regular o acesso aos recursos hídricos.
            “Atualmente a barragem de Santa Maria (responsável pela água oriunda do Parque Nacional) e a barragem do Descoberto são suficientes para atender 90% do DF. Os outros 10% vêm de pequenas captações”, disse o especialista.
De acordo com Souto Maior, em pouco tempo será preciso investir em novas formas de abastecimento de água. “A população é crescente, logo o consumo também”, explicou.
            Para tentar sanar a questão, em 2006, durante um dos governos Roriz, foi criado um projeto de captação de recurso por meio da Usina Corumbá IV, localizada em Luziânia (GO). Mas, segundo Souto Maior, a proposta pode ser considerada como propaganda enganosa. O professor garantiu que, devido à distância e aos altos custos com dutos e equipamentos, “o processo de moção da água através dessa estratégia é complicado e desinteressante do ponto de vista financeiro.”.
             O ambientalista não conseguiu assegurar um prazo para a implantação da medida, mas afirmou que é para breve.
Não se sabe a quantidade de água que precisaria ser retirada ou de que forma isso seria feito. Procurada pela reportagem, a assessoria da Caesb não quis se manifestar.

Lei que obriga a instalação de bicicletários no Distrito Federal é aprovada pela Câmara Legislativa

Especialistas acreditam que mais do que leis é preciso uma mudança de cultura



Por Dener Giovanini e Erika Suzuki


Lei que obriga a criação de bicicletários em locais com grande fluxo de pessoas foi aprovada esta semana pela Câmara Legislativa do DF. Estacionamentos, shoppings e prédios de escritórios e de órgãos públicos, por exemplo, terão de construir espaços apropriados para a guarda de bicicletas. O prazo para as empresas cumprirem a lei é de dois anos.

A iniciativa, de autoria do deputado Rôney Nemer, ainda prevê equipamentos em que seja possível prender as rodas das bikes. O objetivo é aumentar a segurança de quem guarda as bicicletas nesses locais.

Essa não é a primeira lei a obrigar a instalação de bicicletários em pontos de grande circulação de pessoas no DF. Outras nove leis já existem, além da lei Orgânica. O presidente da ONG Rodas da Paz, Uirá Lourenço, acredita que a medida é pertinente, porém se mostra reticente quanto à eficácia da nova lei.

“Espaços adequados para a guarda de bicicletas são necessários, porém a medida deve sair do papel”, diz Uirá.

Ele vai ainda mais longe. “Acredito que, mais do que leis, é preciso haver uma mudança de cultura. É possível usar a bicicleta para se locomover no dia a dia, mesmo que a cidade não esteja adaptada”, defende.

Uirá utiliza a bicicleta como meio de transporte há 12 anos em Brasília. Vai ao trabalho de bicicleta e leva as crianças para a escola na garupa todos os dias. Ele garante ser seguro. “Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, pedalar nos horários de trânsito pesado é menos arriscado porque os carros estão parados nos congestionamentos”, observa.

Hoje, há uma frota crescente de mais de 1 milhão de veículos no Distrito Federal. Em 2011, 36 ciclistas morreram em acidentes de trânsito no DF, o que representa 8,6% do total de vítimas fatais, sendo que 22 deles pedalavam em vias urbanas e não em rodovias.

Presidente da ONG Rodas da Paz, Uirá Lourenço (Elza Fiuza / ABr)