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Empregados domésticos conquistam novos direitos, mas ainda falta valorização.

Ao contrário do que pretendia o Governo Federal, com a regulamentação da lei complementar número 150, boa parte dos empregados domésticos garante que ainda não são valorizados. A classe que era tida como “subempregada” até junho do ano passado, conseguiu, por meio da implementação do simples doméstico, conquistar direitos como adicional noturno, décimo terceiro, imposto de renda, licença gestante. Mas os empregados afirmam que ainda é preciso alcançar a valorização dos serviços junto à sociedade.
Antônio Pereira Barros, fundador do sindicato das empregadas domésticas, acreditava que, com a regulamentação da lei as coisas mudariam: “Eu pensei que com a lei, a empregada doméstica ia entrar radiante no meu escritório, com orgulho dos seus direitos e de se sentir igual aos outros trabalhadores, mas não foi isso que aconteceu”. Para ele,muitas pessoas têm vergonha de assumir serem empregadas domésticas, devido às humilhações e discriminações que sofrem, “Uma empregada me contou que foi impedida de tomar um iogurte que a família inteira está tomando, e os patrões exigem que ela durma no trabalho, mas não oferecem um quarto, querem deixar ela dormir apenas num colchão no corredor”.
Jeane Marques, de 36 anos, que trabalha como babá desde a adolescência, já sofreu abuso por parte dos patrões, “Às vezes eles colocam culpa de coisas que sumiram em mim, ou falam que o filho aprendeu uma coisa errada também por minha causa”, relata a babá. Apesar dos problemas, a babá acredita que a lei mudou positivamente algumas situações dos trabalhadores: “Antes eu tinha que dormir no trabalho ou voltava para casa apenas meia-noite, agora que é obrigatório pagar hora extra, os patrões não querem mais, por isso volto cedo e fico com meus filhos”, contou.
De acordo com Nilton Coutinho, procurador do estado de São Paulo com atuação no tribunal superior do trabalho, o emprego doméstico era visto como um subemprego, por não ter os mesmos direitos de outras categorias: “Em 2013, nós tivemos uma emenda constitucional, a 72 de 2013, que estendeu os direitos para esses trabalhadores, que até então não tinham”.
Formação 
Histórias de maior interesse pelo estudo entre os domésticos, visando ao crescimento pessoal e profissional, vêm aumentando. O nível de escolaridade dos empregados domésticos no Distrito Federal aumentou consideravelmente (de 17,8% passou para 29,5%), segundo pesquisa de abril deste ano da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). O número de trabalhadores de carteira assinada com mais de 40 anos (57,7%) também cresceu, o que demonstra que as novas gerações estão procurando se profissionalizar, buscando mais oportunidades no mercado de trabalho.
O antropólogo Frederico Tomé explica que o aumento do nível de escolaridade desses trabalhadores pode ser explicado pelo processo de democratização do ensino, no sentido de que todo cidadão tem direito à educação e a formação. “Havendo essa democratização, você consegue alcançar grupos que antes ficavam excluídos dessa instrução.
Elen*,28 anos, trabalha como empregada doméstica há oito. Ela cita a falta de tempo e de dinheiro como principais empecilhos a fazer curso técnico ou faculdade. Além de trabalhar período integral, é dona de casa e mãe de família. Mas reconhece que atualmente o acesso à educação está mais fácil, graças aos benefícios do governo e bolsas nas faculdades particulares: “Isso incentiva nós, trabalhadores domésticos, a buscarmos novas oportunidades de emprego”.
Para Alessandra Maria, de 35 anos, ser empregada doméstica hoje em dia é opção apenas por necessidade financeira. Ela começou a fazer bicos e a trabalhar como empregada doméstica, e reclama que não há valorização, “É muito difícil achar um patrão que lhe valorize, ou que ao mínimo te dê um respeito”, declara. Alessandra é técnica em enfermagem há 18 anos, e hoje está cursando a faculdade para realizar o sonho de ser enfermeira.
O professor Frederico Tomé relaciona a informalidade à crise política e econômica que o país vive atualmente. “ A partir do momento que o profissional experimenta a formalidade, talvez ele perceba que é melhor caminho e pode haver uma recusa em trabalhar numa dinâmica informal”. Ele acrescenta que a tendência é a queda dessa característica. “Pensando no longo prazo, a formalidade é o caminho natural no contexto do trabalhador doméstico. ”
Além disso, Jeane, citada no início da reportagem, conta que a mãe, avó e irmãs que são empregadas domésticas, mas as coisas vão mudar para a filha, que vai ter outra profissão. Ela se orgulha em dizer que a jovem já está terminando os estudos e prestará vestibular para música, “Não tenho vergonha de ser empregada, é um emprego digno como todos os outros, mas não desejo para minha filha, nem para ninguém, por conta das dificuldades que tive”, disse.

*Nome fictício da personagem
Por Marina Silva e Renata Angoti 

A morte lenta da fauna brasileira




 



39 bilhões de dólares. Este é o montante que o tráfico de animais movimenta por ano. Segundo estimativa da World Wide Fund for Nature (WWF), é a terceira atividade clandestina que mais gera dinheiro, só perde para o comércio ilegal de drogas e armas. 
Em razão da biodiversidade brasileira, o país é um dos principais alvos, e contribui com 10% do valor arrecadado no mundo, como mostra o relatório da entidade (veja aqui na íntegra, em inglês).
 

Para o Ibama, além da variedade de espécies, outro fator que colabora para essa prática no Brasil é a falta de punições severas àqueles que praticam o crime. Em sua maioria, os
animais capturados são levados para zoológicos, comprados por colecionadores, por laboratórios para fabricação de medicamentos e até mortos para que a pele ou outras partes do corpo sejam retiradas e vendidas. Um negócio lucrativo que tem exterminado a fauna silvestre e os ecossistemas brasileiros. Confira aqui a matéria completa. 


Educadores com problemas de saúde mental - Tâmila Lapa

Educadores com problemas de saúde mental 


Transtornos psiquiátricos justificam mais da metade do afastamento dos servidores do Distrito Federal

A rotina exaustiva, a falta de reconhecimento, o desrespeito dos alunos. Esses são fatores que fazem parte da dura realidade daqueles dedicam a vida para formar cidadãos. Confira a reportagem completa aqui.

Por Tâmila Lapa.


Surdolimpíada 2017: sonho, oportunidade e visibilidade

Em busca de reconhecimento como atletas, 14 brasilienses buscam a classificação para a Surdolimpíada de 2017, na Turquia. A competição para os surdos faz parte da esfera olímpica, assim como a Olimpíada e a Paralimpíada.

Veja a matéria completa aqui.


Por Clara Sasse

Cultura de luta e sacrifício

Fora da competição, atletas de lutas marciais combatem métodos radicais e sofridos para alcançarem a perda de peso

Foto: Felipe Fontinele/Arquivo Pessoal

Os dias que antecedem a competição são sinônimo de inquietação para atletas de luta. Grande parte dos lutadores profissionais de diversas categorias da modalidade se sujeitam a práticas sofridas para conseguir controlar o peso. A popular tática da “secagem” faz parte da arriscada rotina desses esportistas. Antes da disputa no tatame, precisam vencer primeiramente a balança e bater o peso da categoria. Para isso, valem inclusive alguns métodos polêmicos considerados práticas de pessoas com transtornos alimentares, como ingestão de diuréticos e laxantes.  Assim, vários atletas chegam a perder mais de dez quilos em um único dia. 

Em 2013, o brasileiro Leandro Feijão morreu no dia da pesagem do Shooto 43, evento de MMA (artes marciais mistas, em inglês) em que lutaria, no Rio de Janeiro. Ele tinha 28 anos e dez lutas disputadas na modalidade, com cinco vitórias, e foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), como apontou o atestado de óbito. Segundo a fisiologia cardíaca, a desidratação, geralmente feita para a perda de peso dos lutadores, pode ser uma das causas de AVC, pois altera a pressão arterial e pode causar um aneurisma.
Yang Jian Bing, peso-mosca chinês de 21 anos, era lutador do ONE FC, evento asiático de MMA. O jovem foi vítima de falência cardiopulmonar e morreu no final do ano passado. Ele passou mal após ter problemas com o corte de peso para o "ONE Championship", que disputaria naquela semana. Chegou a ser internado, mas sofreu um colapso logo antes da competição. O contexto específico da morte não foi anunciado. 

As perdas bruscas de peso não são recomendadas por profissionais da saúde, segundo Victor Hugo Machado, nutricionista esportivo e triatleta.  Ele explica que esses métodos utilizados pelos lutadores não levam à perda de massa, mas sim de água. "O máximo que vi próximo a mim, foi um atleta que perdeu 14 quilos no mesmo dia. Ele acordou de manhã, e treinou empacotado com saco plástico para suar mais."

Foto: Felipe Fontinele/Arquivo Pessoal
Preparação 

Daniel Dionísio, 35 anos, é lutador de Boxe Chinês, prestes a se aposentar. Vencedor de três mundiais, cinco sulamericanos, quatro brasileiros e às vésperas da última competição, o atleta se prepara para a Copa Americana, em agosto deste ano. “A preparação para uma luta é de aproximadamente três meses antes da competição. A minha é em agosto e, até lá, preciso perder 10 quilos”.

 Nesses três meses, a alimentação do atleta passa a ser mais regrada. Evitar carboidratos, comer muita salada e frango é comum na rotina. “Não mantenho a dieta sempre. O meu foco é quando já tem uma luta marcada. Volto para a dieta para chegar no peso exigido na categoria que vou lutar”.

A última semana é ainda mais crítica. Para evitar retenção de líquido, o atleta corta o sal da alimentação. “Quando chego mais próximo da luta, é difícil perder muito mais peso do que já perdemos”, afirma. “Como um dia antes da luta precisamos perder peso desidratando, não podemos ter sódio no corpo para evitar a retenção”. Daniel conta que, entre 17h e 21h, consegue reduzir até sete quilos na balança. “Quando chega um dia antes da luta e ainda não consegui bater o peso, começo a perder o que falta em água. Tenho colegas que conseguem perder até 15 quilos apenas desidratando para a pesagem”. 

Foto: Arquivo Pessoal

Um dia antes da competição, Daniel usa blusa e calça térmica de plástico para treinar. Durante uma hora, alterna três minutos de exercícios intensos e três minutos de descanso com a roupa e um edredom para manter o calor do corpo. “Logo no começo já começamos a sentir o suor escorrendo. É muito fácil perder água assim”. 

Após os exercícios, descansa durante uma hora e depois repete o procedimento mais uma vez. “Tem horas que a gente até vê estrela de tão fraco que estamos. Não podemos comer e nem beber água até a pesagem. Às vezes, até chupamos gelo para enganar o corpo e não desmaiar”.

Daniel relata que nem sempre é possível cravar o peso certo na balança. Caso isso aconteça na pesagem oficial, o atleta tem até uma hora para perder o peso necessário para ser enquadrado na categoria. “Neste momento também é fácil. Normalmente, falta menos de 500 gramas. Então podemos fazer alguns exercícios com a roupa térmica ou até mesmo marcar chiclete para produzir saliva e cuspir. Normalmente, em 15 minutos dá pra perder o que falta”, relata.

Após a pesagem, a reidratação deve ser feita com a supervisão de algum profissional. Primeiro, o atleta ingere o soro fisiológico via oral ou na veia. “Nessas competições, normalmente há uma enfermeira que faz esse tipo de coisa. Ela coloca o soro na nossa veia para reidratarmos”, relata. Depois do soro comum, o atleta toma outro soro, o pedialyte (utilizado na reidratação de crianças). “Depois disso, nos sentimos muito melhor na hora. Nós reidratamos e corremos para conseguir ganhar o peso novamente (antes da luta)." 

Mesmo com todo o estresse sofrido pelo corpo, Daniel diz que ainda vale a pena. “Ganhar uma competição é algo muito gratificante. Esse é o preço que pagamos por levar o esporte a sério”.

Sacrifício

Ricardo Saldanha, 25 anos, começou a participar de competições há sete. Tem quatro anos que foi convocado para a Seleção Brasileira de Boxe Chinês. Entre os títulos conquistados nesse tempo estão os de campeonatos brasileiro, sul-americano, quatro títulos do brasiliense e, agora, está em busca da conquista panamericano. 

Aproximadamente dois meses antes de uma competição, a preparação para se enquadrar no peso da categoria que quer lutar. “O meu peso normal é de, pelo menos, 90 quilos. Mesmo assim, tento lutar na categoria de até 84 quilos, então tenho que me esforçar para chegar no peso”.

Foto: Felipe Fontinele/Arquivo Pessoal

A dieta de Ricardo começa com o corte de carboidratos. Ele afirma comer muitas verduras e legumes e beber bastante água. Apenas com essas mudanças, ele explica que já consegue perder cerca de quatro quilos. “Isso é para o Boxe Chinês, que tem pesagem antes de toda luta. Em um mês já consigo bater o peso”.

Dedicado também ao MMA, competição cuja redução de peso é diferente, Ricardo 14 quilos, ao invés do 4 quilos do Boxe Chinês. "Eu nunca senti o baque da desidratação porque eu tenho medo de perder muita água", confessa. Ricardo diz que a dieta é ruim no começo, porque fica mal humorado, mas que o corpo acostuma. Já com a sede, é "quase insuportável" lidar.

Com 24 horas para ganhar o peso antes da luta, as práticas são completamente diferentes da dieta:  muita água e muita comida. No dia da luta é consumido muito carboidrato simples, de rápida absorção, como macarrão, arroz branco ou batata. "Depois da desidratação, após uma duas horas já está tranquilo para comer à vontade. Eu recupero até seis quilos, mas já vi gente recuperando 10." 

O atleta explica que sente fraqueza depois da desidratação.. Por isso, os treinadores pedem para ele entrar em contato quando sentir vontade de comer. "Às vezes dá vontade de largar tudo e comer. Eu penso: 'para quê eu vou fazer isso se fico morrendo de fome, quase desmaiando?”. Ricardo sofre com a ansiedade pela cobrança antes das competições. "Quando eu tenho algum problema, desconto na comida. Já pensei em fazer acompanhamento psicológico." 


Foto: Daniela Magalhães/Arquivo Pessoal
Risco

Para Márcio Oliveira, fisioterapeuta especialista na área esportiva, a desidratação brusca é um processo drástico e perigoso. "De forma alguma é um procedimento  recomendável, a não ser que por um profissional irresponsável." Para ser segura, a desidratação tem um limite muito estreito de 2% ou 3% do peso corporal, segundo ele, mas os atletas perdem muito mais que isso.

Quando o lutador chega na semana  da competição e começar a desidratar,  algumas sequelas aparecem - como das diminuições de função motora, dos reflexos, da força e da potência. "Por isso, muito atletas se lesionam nos dias que antecedem a competição, mesmo sem fazer treinos pesados", explica Márcio. Como eles estão debilitados do ponto de vista motor, em decorrência das perdas da desidratação, ficam mais suscetíveis a lesões. "O processo é todo muito maléfico."

Márcio explica que a falta de água compromete muito mais do que só o peso. "No corpo existe uma hemodinâmica (regulação da circulação sanguínea) e quando se perde muito líquido, o volume de sangue que chega ao coração para ser bombeado fica comprometido, como explica a fisiologia cardíaca." Esta é uma das razões que podem levar o atleta ao óbito, porque pode até faltar irrigação sanguínea ao cérebro.


Cultura enraizada

Marcus Barros Melo, médico ortopedista traumatologista e especialista em medicina do esporte, aponta que essa perda de líquido pode afetar drasticamente os rins,  o fígado e até a questão do desempenho dos atletas na luta. "Os eletrólitos são micro-nutrientes que são essenciais para a contratura muscular e cognição, que são perdidos com a desidratação", segundo ele. Assim, os lutadores podem chegar à insuficiência renal aguda, que pode até matar o atleta.

"É muito difícil tirar essa cultura dos atletas. Isso é algo enraizado há muitas décadas pelo pessoal do boxe e acabou sendo inserido no mundo do MMA, quando as diversas artes marciais migraram para a nova modalidade", critica Marcus, em relação a desidratação severa.

 Após a pesagem, os atletas querem ganhar peso a qualquer custo para ficarem fortes para lutar. "O que eles não sabem é que não ficam mais fortes. Na verdade, ficam mais fracos, porque de forma brusca não é possível repor tudo o que foi perdido, como eles imaginam." Deste modo, o corpo fica muito comprometimento para a luta.

Para ele, no fim das contas, a prática da perda de peso não faz diferença na estratégia. Todos perdem peso para lutar em categoria inferior e depois ganham para a luta. Na competição, acabam lutando com oponentes de mesma categoria, não importando e perda. "Então todos estragam o organismo para lutar deteriorado com um oponente do mesmo peso. Seria melhor simplesmente continuar na mesma."

Opções

Goma de mascar, roupas especiais para aumentar a temperatura corporal e sauna são exemplos de métodos extremos. Há uma tática ainda mais ousada: banho de banheira de água quente com sal para desidratar ao máximo. As opções de práticas são diversas, mas tem com em comum: não nocivas à saúde se feitas sem limites. 

O que poucos sabem é que existem formas de fazer uma perda controlada. Segundo o nutricionista Victor Hugo Machado, o método "pirâmide" pode ser eficaz, se feito com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. A perda brusca não é bem reconhecida pelo organismo, mas aos poucos pode ser segura. 

Por esta razão o método pirâmide não é feito a longo prazo e com consumo gradual. Dias antes da competição, a ingestão de água e alimentos aumenta gradualmente, até um pico determinado pelo profissional que acompanha o atleta. Ao chegar nesse nível máximo, inicia-se uma redução progressiva, para que o organismo lide melhor com a perda. Para o nutricionista, "esta seria uma desidratação controlada".

Foto: Daniela Magalhães/Arquivo Pessoal

Novas normas 

A discussão sobre os métodos de perda de peso do atletas de MMA e após a morte de Yang, citado no início desta matéria, ganhou mais importância. No final e 2015, o ONE FC, grande torneio asiático da modalidade, anunciou mudanças nas regras da competição. Com o objetivo de banir a desidratação  arriscada e garantir que os atletas lutem com o peso normal, as novas regras passaram a valer em janeiro deste ano. A organização, desde então, afirma acompanhar o peso dos lutadores diariamente, através de um portal online. Durante a semana de luta, os pesos são verificadas diariamente. A densidade urinária também será verificada logo após a chegada e três horas antes do evento. Os atletas deverão estar dentro da respectiva classe de peso e passar por testes específicos de hidratação por toda a semana e até três horas antes do evento. Os médicos ainda podem solicitar testes adicionais a seu critério e a utilização de soro está proibida. Detalhes e outras normas estão disponíveis no campo Weight Classes do site www.onefc.com. Se, por acaso, o atleta não cumprir alguma das regras, é desqualificado do evento. 

Já o UFC (Ultimate Fighting Championship Brasil), divulgou mudanças no final de maio deste ano. Segundo eles, a partir de julho de 2016, no UFC 200, a novas orientações estarão valendo.  A instituição afirma ser uma nova “diretriz” e não uma “regra”, cuja instrução é que os lutadores não percam mais do que 8% do peso limite da respectiva categoria na semana da luta. Segundo o UFC, esse valor foi determinado por especialistas que afirmaram ser uma quantidade segura. Ainda não está prevista punição para atletas que não seguirem as orientações. No entanto, a organização  afirmou que vai analisar qual vai ser o efeito das novas instruções para, então, decidir se será necessária uma medida mais drástica. Mais detalhes podem ser encontrados no site www.ufc.com.br. 

Por Ana Luiza Campos e Isabella Alvim

Superação em duas rodas

Motociclista Pedro Rehn treinando Motocross
Foto: Arquivo Pessoal
Esportes em duas rodas, como motociclismo e ciclismo, são apreciados por fãs e profissionais de  todo o mundo. Em Brasília, não é diferente. Além da prática como lazer, são inúmeros os brasilienses que representam a Capital Federal e o Brasil em competições nacionais e internacionais. Porém, o esporte sobre duas rodas também pode assumir outro tipo de função: a superação na luta contra enfermidades.

É o caso de Pedro Rehn. Nascido em Goiânia e criado em Brasília, o motociclista vive em cima de uma moto desde pequeno. “Eu entrei no motociclismo com 13 para 14 anos de idade por influência do meu pai, que sempre foi um apaixonado por fazer trilhas em motos. No começo eu entrei nesse esporte que, diferentemente do que pensam, envolve muito o ambiente de família”, explica o motociclista. 

Pedro explica que saiu do esporte em trilhas e migrou para o motocross por influência dos amigos que praticavam a modalidade. “Logo que eu me apaixonei pela moto, nós viemos para Brasília e, como temos fazenda no interior, meu pai não podia ficar comigo o tempo todo. Então, para eu crescer no esporte, eu precisava ficar perto de pessoas que praticavam motociclismo. Por causa disso, eu comecei a ir mais para as pistas de motocross, uma vez que todos os meus amigos praticavam essa modalidade do motociclismo”, disse.
Pedro se sentindo leve após dia de treino
Foto: Bernardo Ervilha
A partir daí Pedro criou uma paixão pelo esporte que o destacou em solo brasiliense. Ele ficou entre os 20 melhores do Brasil na categoria Supermoto, além de ter sido convidado a participar como piloto da equipe Piquet Sports Supermoto (em inglês Supermotard - campeonato Brasileiro de Supermoto/regulamento). Apesar de ser uma modalidade diferente – o MotoCross é praticado na terra, enquanto o Supermoto acontece também no asfalto. Criado nos anos 1970, é uma mistura de motocross com a corrida em asfalto, em motos equipadas para enfrentar os dois estilos.  Pedro logo se adaptou à nova modalidade. Entrevista com o Motociclista Pedro Rehn.
                                                                        



MOTOCROSS                                              SUPER MOTO



 
   
         






       


                                         Obstáculos da vida
        
Remédios para o trata
mento do cânce
Foto: Arquivo Pessoal
         Porém, o sonho de viver a carreira profissional quase foi interrompido. Pedro, já enfrentando obstáculos no esporte, deparou-se com um na própria vida. No ano passado, foi diagnosticado com Linfoma de Hodgkins, uma forma de câncer que se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático. “O Pedro teve um aumento gradativo nos linfonodos no pescoço, e nós fizemos uma biopsia que apontou uma neoplasia do sistema linfático, conhecida como linfoma de Hodgkins. Após a constatação, ele começou a fazer a quimioterapia”, quem explica é hematologista do hospital Sírio-Libanes e médico de Pedro, Dr. Volney Assis Lara.

Pedro em uma sessão  de quimiotera
pia
Foto: Arquivo Pessoal
A notícia foi um choque para Pedro e para os familiares, principalmente a mãe, a empresária Julieta Maria de Azevedo. “É difícil falar porque a gente nunca acha que nossos filhos serão alvos desse tipo de doença. É apavorante, além de ser uma dor que fica acima do normal. Eu me desesperei, enlouqueci e adoeci nesses tempos”, explicou.
Pedro chegou a parar de estudar e trabalhar para cuidar do câncer, porém sua paixão nunca foi deixada de lado. “Parei de fazer todas essas atividades durante esse período porque, quando você faz coisas que te estressam durante o tratamento, a sua saúde e imunidades decaem também. Porém, nunca parei com o motociclismo. Pelo contrário, continuei trabalhando e competindo e cheguei a ganhar o campeonato brasileiro de 250cc de supermoto do ano passado”. O jovem se deparou com a possibilidade de competir em um estilo novo, e não hesitou mesmo limitado pela doença. 


Força de Vontade

          O incentivo para continuar praticando o esporte partiu de amigos, familiares e até pelo próprio médico. “Durante esse tempo fizemos questão de incentivá-lo a continuar as atividades que lhe faziam bem, principalmente, no caso dele, o motociclismo. Acredito que a prática esportiva ajuda pacientes na luta contra o câncer. Nesse caso, em especial, um dos sintomas do linfoma é o cansaço”, disse Dr. Volney.
Após meses intensos de quimioterapia, juntamente com o esporte, Pedro se viu curado do Linfoma. “Hoje podemos dizer que o Pedro teve uma resposta completa ao tratamento e atualmente não possui evidências de crescimento do linfoma. Obviamente ele ainda deverá sempre acompanhar o local e realizar procedimentos clínicos como exames de coleta de sangue e urina. Porém todo esse acompanhamento serve apenas por precaução”, explicou o hematologista.
Hoje Pedro acredita que o tratamento, atrelado à prática esportiva, o credenciou a combater o câncer. “Com ajuda do meu pai e da minha mãe, além do carinho dos meus amigos e da atenção do Dr. Volney, hoje, graças a Deus, estou curado”, comemorou.  Julieta, a mãe de Pedro, também falou do orgulho de ver o filho superando a doença. “Ele buscou, através do esporte, a cura para o câncer, mesmo eu querendo que o meu filho saísse e ficasse no meu colo, ele batalhou e quis o mundo através do esporte. Tenho muito orgulho e hoje eu acredito que superou a doença por meio do esporte”.
          Por fim, o Motociclista fez questão de falar que continuará competindo, e fez um apelo aos que vivem situação semelhante. “Tenho certeza que o motocilcismo ajudou 99% na minha recuperação e continuarei praticando esse esporte o resto da minha vida. Além disso, queria dar um conselho para as pessoas que estão passando por problemas com câncer, que é de nunca desistir de lutar, além de continuar praticando o esporte que ama”, finalizou.










Foto: Arquivo Pessoal



Por Bernardo Ervilha e Tales Silveira

Intercâmbio: Uma porta para o autoconhecimento

 Em tempos de crise econômica, torna-se cada dia mais competitivo conseguir um emprego. Para driblar a situação, o intercâmbio revela-se uma porta que possibilita ao candidato enriquecer o currículo e se inserir no mercado de trabalho.
  As empresas levam em conta um diferencial de um profissional que teve o contato diário com uma nova língua e a experiência adquirida em outro país. Isso possibilita  uma fácil adaptação cultural e profissional, caso o funcionário precise ser transferido para fora do país de origem. A iniciativa de abandonar a zona de conforto e ir estudar fora já sinaliza compromisso com a carreira, o que é bem visto no início da trajetória profissional.
 Segundo a especialista em recursos humanos, Eliane Santos, muitas empresas buscam, nos dias de hoje, profissionais que tenham conhecimentos de outras culturas em diversos países do mundo, devido à globalização.
Hoje diversas empresas oferecem pacotes de intercâmbio para todos os destinos possíveis e também muitas universidades oferecem programas de bolsas. 
O intercâmbio não era uma meta inalcançável até o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) ser suspenso por cortes de gastos durante o governo de Dilma Roussef. Era o único programa que oferecia oportunidades de bolsas de estudo no exterior financiadas pelo Governo Federal para alunos de instituições de ensino superior, públicas ou particulares de todo o país. 
 De acordo com a fundação CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação, o Programa Ciência Sem Fronteiras enviou 44.402 estudantes para o exterior, no ano de 2014, incluindo mestrado, doutorado, graduação entre outros. Já em 2015, que foi o último edital realizado, o número reduziu para 40.330.

Universitária visitando a Casa Branca em Washigton D.C
Fonte: arquivo pessoal
Gabriella Valentim, estudante de Engenharia civil na Universidade de Brasília,UnB, selecionada pelo programa CsF, no momento se encontra em Washigton D.C. Já cursou oito matérias na The Catholic University of America, agora, três meses antes de voltar para Brasília, realiza um estágio profissional. “Eu gostei bastante dessa experiência, é uma empresa de engenharia geotécnica grande aqui nos Estados Unidos, acredito que isso vai ajudar muito no futuro da minha profissão e mais ainda no meu currículo, o fato de eu ter feito o estágio em uma empresa norte americana.”  Empolgada com a grande oportunidade de aprender como se faz design, como as coisas se constroem e como é o ambiente empresarial, ainda faz um paralelo entre os cursos no Estados Unidos e no Brasil. “Aqui eles dão muito foco no profissionalismo. O que eu sinto no Brasil, pelo menos na minha Universidade, é que a teoria é passada muito mais a fundo, mas eu vejo pouco interesse deles em inserirem a gente no mercado de trabalho. Eu estava no sexto semestre de engenharia civil e nunca tinha ido visitar uma obra aí no Brasil, aqui eu fui em três obras só em uma aula.” relata a estudante.
 
"O preparo que tive durante meu curso na UnB prévio ao intercâmbio
foi essencial para eu me destacar entre os alunos do meu campus na UWG."
Fonte : arquivo pessoal
Guilherme Pereira, 22 anos, também bolsista do CsF, morou nove meses em Carrollton, no Estado da Georgia, Estados Unidos, “Sou estudante de educação física da UnB e posso afirmar facilmente que apesar de não contarmos com toda a estrutura de ponta que a University of West Georgia possui, o curso aqui no Brasil é bem mais puxado.”    

O universitário conta que a facilidade e a falta de desafio lhe mostraram que o Brasil não fica atrás em nada em relação aos Estados Unidos, e que o intercâmbio ampliou sua visão profissional. “Quanto a um benefício obtido no meu intercâmbio que possa me destacar no meu país, eu poderia citar o certificado de personal trainer que obtive através de uma prova. Apesar de não ter nenhum valor legal aqui, pode ser algo que aprimore meu currículo. Mas o maior benefício que eu obtive com certeza foram os contatos profissionais que eu fiz nos Estados Unidos.” relata o estudante. 
O curso superior de bacharelado em educação física dura pelo menos quatro anos no Brasil. Já nos Estados Unidos, legalmente não é necessária formação alguma, basta um certificado de personal trainer obtido por meio de uma prova fornecida por diversas instituições.  
  
"Minhas tardes se resumiam em estudar com uma colega
francesa e apreciar um vinho."
Fonte: arquivo pessoal 
A estudante de Jornalismo, Natália Ribeiro, de 20 anos, encarou a experiência de morar fora do Brasil, com objetivo principal acadêmico. A universitária morou em Grenoble, na França, por seis meses, com recursos próprios e continuou o curso de Jornalismo no país de destino. “Tem que ver se vale a pena pelo fato de você desembolsar uma grande quantidade de dinheiro e não ser proveitoso para sua área.”
A estudante participou do edital do INT, assessoria de assuntos internacionais da UnB, que visa estabelecer e fortalecer laços de amizade e cooperação com organismos e instituições de ensino e pesquisa internacionais. “Embora ainda seja uma opção elitista, o intercâmbio vale a pena. Para quem não pode gastar muito, o ideal é procurar por bolsas de estudo.”, diz a universitária.
Espaço que abriga várias Universidades em Grenoble, França
Fonte: arquivo pessoal
A experiência internacional tem o poder de proporcionar uma visão mais ampla sobre o mercado e a profissão. Enquanto o desafio do estudante antes era tolerar uma nova cultura, desenvolver a liderança, a criatividade e a comunicação, agora o desafio é incluir no currículo as experiências vivenciadas fora. Além de adicionar a duração do curso e a Instituição, mencionar também projetos de pesquisa, trabalhos dentro do campus, atividades extracurriculares, ou seja, valorizar ao máximo a experiência, na tentativa de garantir finalmente a inserção no mercado de trabalho.
Por Bárbara Fontinele

Socialização através do esporte

Alunos no Centro Olímpico de São Sebastião, no DF (Foto: Agência Brasília) 

Com o intuito de promover mudanças na sociedade, projetos sociais promovem a inclusão de crianças, jovens e adultos por meio de práticas esportivas gratuitas. O DF conta hoje com 11 Centros Olímpicos e paraolímpicos mantidos pelo GDF. Eles estão localizados em Ceilândia, Brazlândia, Samambaia, Riacho Fundo I, Recanto das Emas, Gama, Santa Maria, Sobradinho, São Sebastião e Estrutural. O Centro Olímpico de Planaltina ainda está em construção.

O coordenador dos Centros Olímpicos e Paraolímpicos da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do DF, Marco Aurelio Guedes, informou que os centros contam com piscinas, quadra de tenis, quadra de areia, futebol society e ginásio.

“Atendemos hoje cerca de 35 mil pessoas. Procuramos envolver além do esporte, uma proposta pedagógica, ter o esporte como qualidade de vida e ressocialização. O esporte é apenas um instrumento para que a gente alcance esse objetivo. Nós recebemos alunos a partir de quatro anos e não temos um limite de idade para participar”, diz.

De acordo com o coordenador, os centros servem de apoio para outros projetos, como o Futuro Campeão, que busca, dentro dos centros, alunos aptos a praticar determinados esportes profissionalmente.

“Procuramos também desenvolver diversas atividades com os nossos alunos, como por exemplo a leitura de livros, em parceria com a secretaria de Cultura do DF. Além disso, temos dentro dos centros, os projetos de PSC, prestação serviço à comunidade. Neste projeto, jovens que cometeram alguns delitos e tiveram como pena a prestação de serviços, ajudam na limpeza e manutenção dos centros", conta Guedes.

Os centros oferecem atividade física orientada (para idosos), atletismo, basquete, boxe, bocha, capoeira, capoterapia, desenvolvimento motor (para crianças), futebol de areia, futebol society, futsal, ginástica localizada, ginásticas rítmica, acrobática e artística, handebol, hidroginástica, caratê, jiu-jitsu, natação, pilates, tênis, voleibol e judô.

Para participar das atividades dos centros, é preciso se inscrever no site da Secretria de Esporte, portando cópias e os originais da documentação exigida: atestado médico, uma foto 3x4, carteira de identidade e CPF.

Menores de idade devem apresentar o comprovante de residência atual, a declaração escolar, a certidão de nascimento, a identidade e o CPF dos pais, um atestado médico e o documento de guarda ou autorização do conselho tutelar, caso o responsável não seja o pai ou mãe, além de uma foto 3x4.


Alunos na aula de natação no Centro Olímpico da Estrutural no DF (Foto: Agência Brasília)


Já em São Sebastião, outro projeto faz sucesso.  O professor de jiu-jitsu Adalberto Ventura, mais conhecido entre os alunos por Betinho, realizou em janeiro de 2015, um sonho antigo, criar o projeto social Campeão no Esporte e na Vida. O projeto conta hoje com 150 alunos entre 4 e 42 anos. A iniciativa é gratuita e se mantém cim donativos e ações voluntárias da comunidade e dos pais dos alunos.

"Eu via os alunos desistindo das aulas, e não sabia o que fazer, eu não queria ver eles nas ruas, sujeitos a más influências. Então, pensei em montar o projeto. Os alunos hoje tem condições de competir e encontraram no esporte, uma alternativa a vida que tinham˜, conta Betinho.

Um dos apoiadores do projeto, o motoboy Magno Rezende, conta que levou seu sobrinho de sete anos para participar das aulas. "Aqui na região é difícil encontrar opções de lazer gratuitas, além do mais, a luta ensina disciplina, mantém a criança ocupada, longe das drogas, e também tem a parte da saúde que conta muito".

Alunos do Projeto Social Campeão no Esporte e na Vida (Foto: Adalberto Ventura)

No Varjão, em 2002, iniciou o projeto "Gracie Barra Varjão". Idealizado pelo atleta de jiu-jitsu Rodrigo Carvalho, o projeto atende hoje mais de 200 alunos carentes da região. Rodrigo conta que a primeira grande vitória do projeto veio em 2007, quando levou a aluna Thaise Fernandes Ramos, na época com 17 anos, para disputar o campeonato mundial de jiu-jítsu em Los Angeles, Califórnia. A jovem participava do projeto desde 2004.

"Ela começou a treinar quando ainda usávamos um barracão sujo, sem estrutura, bem no começo. Ela nos procurou pedindo para treinar. Era magrinha, muito tímida, falava pouco, mas no tatame era uma gigante. Sempre foi uma aluna muito aplicada e disciplinada. Quando voltamos com a medalha, fizemos uma carreata pelo Varjão. Foi bem emocionante. Ela foi a primeira mulher brasiliense a ser campeã mundial dessa modalidade", relembra.

Alunos em aula na Gracie Barra Varjão (Foto: Rodrigo Carvalho)

Segundo Carvalho, a Administração do Paranoá cedeu um espaço para treinamento, dessa forma, não é cobrada taxa para as crianças participarem do projeto. "Para os adultos, pedimos uma taxa simbólica, de R$ 20 por mês, mas aqueles que não têm condições também são bem vindos".

Thaise Ramos, hoje com 26, faz parte da equipe de professores do projeto. "Eu procuro incentivar meus alunos e mostrar que mesmo em condições precárias, conseguimos ter uma vida melhor através do esporte. Eu consegui medalhas em um mundial, o que até hoje é muito surpreendente pra mim, mas se eu consegui, qualquer um consegue".


O Instituto de Ações, Projetos e Pesquisas Sociais(INAPPES) também é um dos exemplos de ações sociais que tem no esporte uma nova oportunidade para os jovens em necessidade. O projeto foi iniciado em 2005, e tinha como intuito a captação e distribuição de cestas básicas, além de dedicar-se à inclusão digital de pessoas de baixa renda. Somente em 2010 foi criado o PROBOLA, que tem como prioridade crianças e adolescentes da Cidade Estrutural.


Alunos do projeto PROBOLA (Foto: divulgação)


PROBOLA


Esse é o principal projeto que envolva o futebol. O objetivo é transmitir fundamentos do futebol e valores sociais, gerando oportunidades à crianças e adolescentes de regiões desfavorecidas e mais vulneráveis do DF.


De acordo com o presidente Hélio Alfinito, o intuito do projeto é de conciliar o esporte com a educação. 
"Nós temos trabalhado com esse projeto do PROBOLA exatamente para tirar as crianças da rua, poder envolvê-los com o esporte, no caso o futebol, de tal modo que eles possam colocar o coração deles no esporte. Um dos requisitos é que todos estejam estudando,"diz. Alfinito ressalta ainda que é fundamental que os jovens não troquem os estudos pelo esporte, mas sim que façam os dois, de maneira complementar.

Para facilitar o trajeto o projeto freta toda semana um ônibus para levar os garotos de suas escolas para o centro de treinamento, que é cedido pela Sociedade Hípica de Brasília. Ainda não há nenhum auxílio do Governo do GDF, porém já existem negociações. "A gente quer firmar uma parceria com o GDF para que a gente eduque os treinadores com a nossa metodologia, e no final do ano realizar um torneio no Eixão do lazer." afirmou o presidente.

Vídeo institucional do PROBOLA (Fonte: INAPPES)

FIFA


No ano de 2013 o INAPPES foi convidado pela FIFA para participar do fórum internacional FIFA for hope, em Belo Horizonte. Lá foi possível desenvolver novas técnicas para projetos socias, tendo como principal o desenvolvido pela StreetFootballWorld, que é uma organização mundial sediada em Berlim, na Alemanha, com o objetivo de utilizar o futebol para mudar a vida de crianças em todo o planeta.


ESPORTE EM TRÊS TEMPOS


O Esporte em três tempos é a metodologia utilizada após o evento da FIFA. O aprendizado de valores sociais é promovido por por meio do esporte lúdico, no turno ou contraturno das aulas. Essa metodologia divide a atividade em três partes. Na primeira, o treinador discute com os alunos quais as regras serão utilizadas na atividade. Na segunda parte eles realizam a atividade, e por fim, eles se reúnem novamente para conversar sobre os resultados obtidos. Nessa atividade o placar não é o mais importante. 

"O objetivo é de que a criança perceba que o placar não é o mais importante, mas sim a maneira com que a atividade é praticada", diz o presidente.


O projeto necessita apenas de uma quadra esportiva ou qualquer outro lugar que traga segurança para os jovens e de um mediador treinado especificamente para utilizar essa metodologia, sendo capaz de transmitir tal experiência.

Alfinito ainda comentou sobre as mudanças que esse projeto tem causado na vida dos jovens. 
"Nós temos vários casos de garotos que chegaram aqui como causadores de problemas, que brigavam muito, e após seis meses nós já notávamos mudanças de comportamento. Um desses atletas já se tornou até auxiliar técnico aqui", relatou.

Por Hugo Reis e Jéssica Simabuku