BodyTalk e Reiki são usados em pacientes para amenizar o sofrimento físico e emocional
O Hospital Militar de Área de Brasília - HMAB foi o primeiro hospital militar a oferecer o BodyTalk como auxiliar do tratamento médico convencional. Em 2010, uma portaria foi criada pelo Serviço de Saúde do Exército Brasileiro para implantar e incorporar o Núcleo de Estudos em Terapias Integradas que incluía essa prática. O trabalho é voluntário e realizado todas as quartas-feiras. São oferecidos cinco leitos para atendimento e cada sessão dura quarenta minutos. "Nossa agenda está sempre lotada. Temos vagas só para daqui cinco semanas", afirma Maria Alice Pereira de Souza, terapeuta responsável pela área.
A dona de casa Márcia de Oliveira conheceu o BodyTalk porque a irmã dela, que passava por problemas de saúde na época, contou-lhe sobre a terapia. Há dois anos ela frequenta o hospital.
A terapia não é invasiva e parte do princípio da medicina tradicional chinesa: o equilíbrio entre corpo e mente. A terapeuta de BodyTalk do hospital, Liliane Habib V. Mendes,define a importância das terapias alternativas nos hospitais e explica os pontos mais importantes sobre o trabalho. Veja no vídeo abaixo:
Para a bancária aposentada Dulcereida Alves, que conheceu a terapia quando passava por um processo de depressão, a técnica surtiu efeito logo na primeira sessão. Ela conta como o tratamento ajuda na recuperação:
Reiki
O Serviço Auxiliar Voluntário - SAV tem trinta e cinco participantes que aplicam o Reiki nos enfermos do Hospital de Base de Brasília - HBDF. O foco do tratamento são as dores. "O reiki é uma terapia alternativa que trabalha o equilíbrio energético e entendemos que a doença é um desequilíbrio," explica Dayse Mara Granciero, terapeuta e mestra reikiana. Cerca de trinta pacientes são atendidos por dia e, uma vez por mês, o grupo realiza o Mutirão do Reiki no Pronto Socorro da unidade.
Para aplicar o Reiki, o terapeuta utiliza as mãos, que emitem uma energia pura, necessária para equilibrar o paciente. Essa energia está sempre à disposição do usuário, não importa o local. Também não é preciso nenhum objeto ou equipamento para a realização da terapia. Pacientes de todas as idades são beneficiados.
Os efeitos colaterais severos que alguns medicamentos causam em tratamentos de doenças como o câncer podem ser amenizados com a aplicação do Reiki. "Com a terapia agindo, muitas vezes esses sintomas diminuem. Já tivemos casos de pacientes com câncer não que sofreram com os efeitos colaterais das quimioterapias. Os próprios profisionais de saúde admitem isso", contou Dayse.
O olhar compenetrado, o cuidado com os materiais de trabalho e a precisão nos movimentos fazem pensar que trata-se de atletas comuns. A limitação, ainda que parcial, atesta a condição de cadeirantes. Nem por isso, menos campeões. Dentro e fora de quadra, assim é a vida de três brasilienses que encontraram no esporte uma maneira de superar obstáculos e são esperanças de medalha para o Brasil nas Paralimpíadas Rio 2016, em setembro. Veja aqui o material multimídia especial.
A cinco meses do evento, a estimativa do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) é que cerca de 300 esportistas integrem a delegação verde e amarela. Desse total, até 19 podem representar Brasília – o número final depende das convocações em esportes coletivos e indicações das federações nas modalidades individuais.
É o caso de José Higino Oliveira, 31 anos, atleta de rugby em cadeira de rodas. Pela primeira vez, a modalidade terá a participação brasileira em Paralimpíadas. Após se envolver em um acidente em 2002 e usar cadeira de rodas desde então, a prática esportiva passou a ser rotina diária. “Depois do acidente, comecei a fazer hidroterapia, natação, ecoterapia e cheguei a competir no hipismo. Em 2010, internei no Hospital Sarah do Lago Norte e lá conheci o rugby através do centro de reabilitação voltado para o esporte que eles têm lá”, contou.
Adaptação: o esporte é jogado em uma quadra de basquete com bola de vôlei
A adaptação ao novo esporte foi mais uma barreira que o atleta encontrou. Zé Higino, como gosta de ser chamado, conta que “sentiu uma grande diferença porque os outros esportes que fazia não tinham cadeira de rodas”. No hipismo, o companheiro de treinamento era o cavalo. Já no rugby, o apetrecho se tornou necessário, uma vez que o uso é obrigatório. Outro aspecto que se alterou foi a convivência com outros atletas. “No hipismo, eu era o único paraplégico. Eu competia com pessoas com Down, autismo, paralisia cerebral e outras deficiências. Quando fui para o rugby, passei a conviver com pessoas que eram mais parecidas comigo. A troca de experiência foi bem melhor”, disse.
Concursado do GDF, o assistente social treina a 40 quilômetros de casa, no Centro Olímpico do Gama. No início, achou que a distância seria um impedimento, mas aos poucos foi se adequando à rotina. “Eu comecei a praticar o rugby em alto rendimento só depois que passei no concurso público. Passei a trabalhar em horário especial de atleta e aí consegui conciliar”, explicou. A única frustração, segundo ele, é nunca ter conseguido ganhar dinheiro com o esporte.
Incentivos
R$ 510 é o valor mensal que Zé Higino recebe do programa Bolsa Atleta do GDF. O benefício, porém, é insuficiente para arcar com os custos mensais. “Não paga nem a gasolina até o local de treino. Vou treinar de três a quatro vezes por semana. Isso sem contar os materiais, que são muito caros. Uma cadeira para competir a nível internacional, por exemplo, custa em media R$ 20 mil e requer consertos periódicos”, disse.
O BSB Quad Rugby, clube em que joga, foi criado pelos próprios atletas em 2011. Sem dirigentes ou o apoio de uma federação local, a equipe sofre com a falta de investimentos e tem que correr atrás de patrocínios específicosem época de competição. “Existe apenas a Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC). É ela que organiza as competições no Brasil. A nível estadual, não existe nada. Para ter ideia, só existem doze times no Brasil, já que muitos começam e depois são extintos por falta de dinheiro”, lamentou.
Os Lobos Vermelhos não têm patrocínio e contam com o apoio dos próprios atletas / Divulgação CETEFE
Em preparação para as Paralimpíadas, a seleção brasileira já se reuniu em três ocasiões nesse ano para fazer treinos específicos e estudar os adversários. Zé Higino foi convocado para todos os encontros. No final de fevereiro, a delegação brasileira participou do evento-teste no Rio de Janeiro. No quadrangular, que contou com Austrália, Canadá e IGV, o Brasil terminou em último lugar. Mas o resultado não foi motivo para desanimar o atleta brasiliense. “Nós perdemos todos os jogos, o que era de se esperar. Enfrentamos o primeiro, o quarto e o quinto do ranking mundial. Era mais para gente sentir a Arena, como vão ser os jogos e melhorar em cima disso”, salientou.
Expectativa
No Parapan-Americano de 2015, no Canadá, o Brasil terminou na quarta colocação de oito equipes. A meta era chegar entre os três primeiros, mas o jogo final trouxe uma surpresa. “Fizemos bons jogos. Só que a gente tinha como meta chegar em terceiro e terminamos em quarto. Era um jogo em que não era esperado a gente perder. Mas também serviu de aprendizado, temos que jogar bem contra todo mundo, independente do adversário”, avaliou.
Para os Jogos Paralímpicos, o objetivo é jogar bem contra todos os adversários e vencer pelo menos uma partida. Das oito seleções que se classificaram, o Brasil é o pior ranqueado, em décimo-nono lugar. “Vamos para oRio com o pensamento de ganhar. A torcida será mais um incentivo, queremos mostrar nosso valor e trazer alegrias ao povo brasileiro”, prometeu.
O rugby para cadeira de rodas foi criado em 1970, mas é praticado no Brasil há 10 anos. De acordo com a International Wheelchair Rugby Federation (IWRF), entidade internacional que regulamenta o esporte, é obrigatório o uso de cadeira de rodas específica e faixas que prendam pés, pernas, peito, quadril e tronco. A medida é adotada para permitir que os atletas estejam em condições de igualdade e tenham mais segurança nos movimentos. Além disso, luvas de borracha e uma cola a base de resinas naturais, semelhante à utilizada no handebol, são autorizadas para propiciar mais aderência nas mãos e aumentar a eficiência nos passes.
O objetivo do jogo é ultrapassar com a posse da bola entre cones dispostos na linha de fundo do adversário. Cada jogador recebe uma pontuação de acordo com o grau de deficiência, variando de 0.5 (maior deficiência) a 3.5 pontos (menor deficiência). As equipes são formadas por quatro atletas e não devem ter a soma dos jogadores maior do que oito pontos. Utiliza-se quadra de tamanho oficial de basquete e bola semelhante à de vôlei. O jogo é dividido em quatro tempos de oito minutos.
Gerações
Quem também espera o apoio maciço da torcida para conseguir um bom resultado nas Paralimpíadas são os atletas candangos da seleção brasileira de tênis de mesa, Aloísio Alves e Bruno Peres. Os mesa-tenistas treinam no Setor de Clubes Sul, todos os dias, das 8h30 às 11h. O centro de treinamento, que fica nos fundos de uma academia de caratê, recebe seis atletas da equipe permanente de Brasília.
Aloísio Alves é atleta paralímpico há mais de uma década. Aos 42 anos, explica que o tênis de mesa tem crescido como esporte. Em 2003, aos 29, sofreu um acidente praticando rapel e fraturou uma vértebra do pescoço, que o deixou paralítico. No ano seguinte, quando iniciou um trabalho de reabilitação no Centro de Treinamento de Educação Física Especial (CETEFE), conheceu a modalidade.
Aloísio coleciona títulos expressivos; próximo desafio é a Rio 2016 / Divulgação CBTM
No princípio, o esporte significava apenas uma reabilitação e não era a primeira opção na vida de Aloísio. Com o tempo, ele notou que a prática trazia desenvoltura e aprimorava a condição física. O que era simplesmente uma tarefa forçada transformou-se em uma rotina de treinos que o levou a torneios. A evolução foi tanta que logo se integrou à seleção brasileira por se destacar nas disputas. Aliando o prazer de jogar aos exercícios, o atleta conseguiu uma vitória importante: a recuperação física e psicológica. “O esporte foi importante na minha regeneração, me abriu muitas portas, principalmente sair de casa e ter uma vida normal. Não me imagino fazendo outra coisa”, reforçou.
Campeão Parapan-Americano na classe 1, categoria exclusiva para cadeirantes, o atleta se dedica aos treinamentos de tal forma que abdica até de momentos com a família. Aloísio relata que a esposa e os filhos quase sempre saem para passear, ir ao cinema ou jantar, mas que dificilmente ele os acompanha. Quando todos saem juntos, as crianças ficam eufóricas e aproveitam cada momento ao lado do pai.
O mesa-tenista recebe benefício do programa Bolsa Atleta, oferecido pelo Ministério do Esporte. Prefere não revelar a quantia, mas garante que “dá para viver e treinar bem”. Em busca de uma medalha olímpica, espera retribuir o investimento federal e representar o Brasil com “muita garra e vontade”.
A cada bate-rebate das bolinhas, histórias de superação se cruzam nas duas pontas da mesa. É o caso de Bruno Peres, 25 anos. Mesmo jovem, o atleta que jogava tênis de quadra antes de ficar tetraplégico em um acidente de carro, conquistou títulos expressivos. No ano passado, no Canadá, foi medalhista de bronze no Parapan-Americano, na classe 1. Mas é de outro triunfo que ele se orgulha mais. Ao lado de Aloísio, amigo e companheiro de seleção, obteve o terceiro lugar no Campeonato Mundial, o que lhe rendeu a inédita medalha de bronze – a primeira em equipes da história brasileira no esporte.
Bruno vibra com Aloísio após medalha no Mundial da China / Acervo Pessoal
Apesar de ainda não estar garantido no Rio 2016, Bruno segue de cabeça erguida e continua a rotina intensa de treinos. Atualmente, ele é o 18º do ranking mundial e acredita na vaga olímpica por estar bem classificado. “No Parapan, só classifica direto quem é campeão. E eu ganhei o bronze. Mas posso ir pelo ranking mundial”, disse esperançoso.
O objetivo dos atletas cadeirantes é ousado: buscar duas medalhas no Rio de Janeiro. “A seleção é permanente e treina todo dia. Temos uma hegemonia nas Américas, mas nas Paralimpíadas estamos sendo otimistas e lutamos por duas medalhas. Não sabemos a cor delas, mas ganhar duas medalhas seria excelente”, afirma José Ricardo Rizzone, técnico da Seleção Brasileira.
O Brasil conta com uma medalha de prata na história do tênis de mesa nos Jogos Paralímpicos, conquistada em Pequim, há oito anos. Com os investimentos do Ministério do Esporte, através de convênio firmado em 2012 com a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), as condições de treinamento dos atletas melhoraram, assim como os resultados. “Hoje a seleção tem material de primeira, os atletas têm as borrachas (para as raquetes), que antes eles tinham que comprar, têm as melhores mesas do mundo, piso de borracha importado, bolas e robô lançador de bolas. Todo um aparato técnico. Eles só têm de pensar em treinar”, explicou Rizzone.
O convênio entre o Ministério do Esporte e a CBTM prevê R$ 2,37 milhões para pagamento de salários aos atletas, técnicos e de equipes multidisciplinares (fisioterapeutas, médicos, nutricionistas e psicólogos), compra de material e equipamentos. Para o custeio de viagens para competições o valor é de R$ 1,49 milhão. Além disso, os seis mesa-tenistas da equipe permanente de Brasília recebem Bolsa-Atleta ou Bolsa-Pódio do governo federal.
No tênis de mesa paralímpico, os atletas são divididos em 11 categorias distintas: das classes 1 a 5 são cadeirantes, das classes 6 a 10 são andantes e na classe 11 são andantes com deficiência intelectual. Quanto maior o número da classe, menor o comprometimento físico-motor do atleta. A classificação é realizada a partir da mensuração do alcance de movimentos de cada um, da força muscular, de restrições locomotoras, do equilíbrio na cadeira de rodas e da habilidade de segurar a raquete. As demais regras são idênticas ao tênis de mesa tradicional.
Confira aqui a versão impressa produzida para o Jornal Esquina
Locadoras de DVDs apostam na diversificação do serviço para manter as portas abertas
Ao atravessar a porta de entrada o ambiente climatizado alivia o desconforto do calor escaldante das tardes brasilienses. À direita, dois freezers – um com bebidas e outro de sorvetes. No fim do primeiro corredor se vê uma arara expondo camisetas estampadas com iconografias do cinema. Ao circular pelo ambiente avista-se engradados de refrigerantes e embalagens de papel higiênico que estão pelo chão. No caixa, uma atendente conversa com casal de clientes. A TV fixa à parede roda filme sem som. As prateleiras exibem enorme acervo de DVD, mesmo com a baixa procura. À parte, outra estante põe a venda algumas obras a preços modestos. O que antes era ponto de encontro para os amantes do cinema compartilharem experiências, hoje recebe mais visitantes interessados em comprar uma simples garrafa d’água ou pacote de balas. Videolocadoras tiveram, durante muito tempo, uma participação significativa no ciclo de vida de um filme. Até pouco tempo atrás, antes da chegada dos serviços On Demand e de Video Demand, o produtor ou o distribuidor de filmes sabia que 25% da renda dele viria das locadoras. É o que relata o cientista social e produtor cinematográfico Norlan Silva, ao esmiuçar o momento de declínio vivido pelos serviços de locação de filmes. Norlan conta que, com o passar do tempo, o avanço tecnológico prejudicou as locadoras. A transição do VHS para o DVD e a mudança do DVD para o Blue-Ray impactaram no estoque, e isso tudo teria causado uma retração nos negócios. “Com a democratização da TV a cabo e o aumento do preço do DVD para se ter a antecipação na locadora, a internet possibilitou que as pessoas optassem por assistirem seus filmes, piratas ou não, pelo computador. ”
Fachada da locadora Cult Video na Asa Sul. Foto: Ricardo Rocha.
Para André Costa, dono da locadora Cult Video, que já chegou a ter cinco unidades, mas hoje tem apenas uma na 215 sul, o momento do mercado de videolocação é praticamente de extinção. “Não existem mais locadoras de vídeo em Brasília. Eu ouvi dizer que tenho a última, mas não sei se isso é verdade.”, opina André.
O empresário, que teve de fechar a última loja na Asa Norte, hoje também empreende em uma lanchonete próxima à única locadora restante. Ele conta também que, com o advento da banda larga de qualidade no Brasil e com o aparecimento dos serviços de streaming, as opções para assistir a um filme aumentaram, ficaram mais baratas ou mesmo de graça. E que os custos envolvidos para se manter a estrutura física de uma locadora – aluguel, impostos, salários – acabaram por inviabilizar o negócio. “As locadoras foram fechando as portas inevitavelmente. Você tem o custo muito alto, e a demanda diminuindo muito, a tendência é fechar. O que aconteceu com a grande maioria das locadoras de Brasília”, justifica o André.
Mas o declínio da demanda pela locação de filmes não abateu o entusiasmo do empresário, que encontrou na diversificação dos serviços e no mercado de nicho, as estratégias para levar o seu trabalho adiante. “A gente trabalha também com blockbuster, mas foca muito no acervo de filmes cult, filmes de arte, europeus, de grandes diretores, documentários...” André explica que esses filmes não são facilmente encontrados nos serviços de streaming disponíveis hoje, e que mesmo para downloads são difíceis de encontrar. O que acaba possibilitando reunir na loja um público cativo. “Uma galera que gosta desse cinema de arte, lançamentos de arte, e que hoje praticamente não saem em lugar nenhum. Brasília respira e tem vocação para o cinema.”
André costa, proprietário da Cult Video
Foto: Arquivo pessoal.
É o que também acredita o cientista social Norlan Silva. “As locadoras diversificaram. Viraram pizzaria, conveniência, farmácia...” O também produtor cinematográfico explica que a melhor saída é transformar o negócio num ponto de convergência de vários interesses. Dessa forma, o faturamento vem não somente da locadora, mas de outros serviços a serem oferecidos em conjunto.
Mas há também quem continue planejando essas adaptações. Fernando Pagani, proprietário da Loc Video em Águas Claras, até o presente momento se concentrou no corte de gastos da loja, para adequar as despesas à receita. O empresário, que já teve de fechar uma de suas lojas na Asa Sul, encara com resiliência o tempo de mudanças, e acredita que vão sobrar poucas lojas. “A perspectiva é diversificar os serviços prestados. Ainda não sei que tipo de serviço eu pretendo agregar. Mas tem que ser alguma coisa ligada ao produto da loja. No caso, DVDs”, declara Fernando.
Já numa proposta mais ampla de atuação, André Costa tem apostado em alternativas mais variadas para atrair público. Ele conta que há cinco anos inaugurou na sobreloja um espaço voltado para a realização de cursos, principalmente na área de audiovisual. “A gente realiza cursos de direção para cinema, de roteiro, linguagem de documentários, história do cinema, e vários outros.” Com isso André conseguiu ter bastante gente circulando dentro da loja, aumentando o faturamento, diluindo custos e, principalmente, conquistando o público amante de cinema. Este acaba consumindo também as locações. “Eu acho que foi a grande estratégia para gente conseguir estar vivo até hoje”, opina.
Em relação ao futuro, acredita que a tendência é a transição. “Se eu fosse prever o futuro, a Cult seria uma escola de cinema. A gente está trabalhando, não ainda com este propósito, mas paralelamente nesse propósito, investindo ainda na locadora, mas investindo bastante nos cursos.”
Um panorama geral
Norlan Silva, além de cientista social e produtor cinematográfico, também é o proprietário da La Nave, uma escola de formação profissionalizante, incubadora-aceleradora e fomentadora de projetos audiovisuais. Trabalha no segmento há 25 anos. O entusiasta do cinema, que também já foi dono de locadora, detalha algumas partes dos eventos que levaram ao declínio do modelo tradicional de locadoras de filmes.
Norlan Silva, cientista social e produtor cinematográfico.
Foto: Arquivo pessoal.
Reportagem: O que te levou a abandonar o negócio de locação de filmes?
Norlan: Já quando surgiu o DVD, os serviços de tv a cabo estavam crescendo enormemente. E as pessoas estavam deixando de alugar os filmes. Porque o filme terminava indo para a TV. E a TV é muito mais acessível para as pessoas. Mudam de canal, acompanham a programação, ficam sabendo dos filmes com antecedência. E já no ano de 1996 eu já pensei que era a melhor coisa partir para a produção. Mas eu não deixei de estar vinculado ao Rental Vídeo, que é o sistema de locação. Mas passei também para venda, que é o sistema conhecido como Sell Through.
Reportagem: E o que aconteceu com as locadoras de Brasília? Todas fecharam as portas?
Norlan: Eu responderia que estão nas pequenas cidades, e nas periferias. Porque nas grandes cidades e centros urbanos, a banda larga já é acessível, a tv a cabo já é acessível, e dessa forma o entretenimento audiovisual passa a seguir esse caminho. Já nas pequenas cidades a locadora sobrevive, e é atração. Assim como a tv também é atração.
Reportagem: O que esperar do futuro das locadoras?
Norlan: Infelizmente eu não vejo um grande final feliz. A junção com outros estabelecimentos comerciais dentro da locadora é uma solução. A locadora tem que ter um atrativo muito interessante. Antigamente, o filme antes de ir para a TV, passava pela locadora. Hoje em dia sai da sala de cinema e vai para a TV a cabo. Então a pessoa prefere pagar 120 reais pela tv a cabo, ou 15 reais pelo NETFLIX, e ter a oportunidade de ver com mais comodidade. Outras soluções foram adotadas pelas locadoras como, por exemplo, entrega à domicílio, ou a possibilidade de pegar uma quantidade maior de filmes para se devolver após uma semana. Agora eu acho que a geração mais nova não vai ter esse tesão de pegar filme em locadora como a minha geração teve. Porque a locadora tem aquele perfil de biblioteca. Então você olha, conversa, troca figurinhas, fala sobre filme... E essa geração nova, que está mais plugada, quer o imediatismo. Não quer ficar demorando uma tarde inteira para escolher um filme.
A saída tecnológica para as locadoras talvez seja o streaming. Onde ela coloca a disposição para os seus clientes aquela quantidade de filmes disponíveis. Agora não vai partir da locadora criar essa plataforma. Eu acho que os estúdios podem criar um canal para a locadora, que o cliente vai poder acessar. Outra solução, que já está sendo adotada nos Estados Unidos, são os totens de locadoras self-service nas ruas. Foi esse modelo que quebrou a Blockbuster.
Geração nostalgia
Ainda que a mudança de hábito de consumo tenha atingido a maior parte das novas gerações, alguns jovens ainda sentem o apelo emocional de ir a uma locadora e passar algum tempo selecionando DVDs. O estudante de Administração, Adilio Santana Bezerra, 20 anos, conta que sempre gostou de ir à locadora. “Quando eu era pequeno isso era um evento pra mim. Hoje o entusiasmo mudou, mas não acabou. E se tornou uma coisa mais casual. Eu gosto da disposição dos filmes, eu gosto de pegar um tempo e ficar olhando os filmes, lendo as sinopses... É quase como se fosse um diálogo”, descreve Adilio.
Adilio Bezerra, estudante de administração.
Foto: Reprodução da internet.
O estudante, que é assinante de serviços de streaming, revela que pega na locadora as obras que não encontra online. E que apesar de ter criado vínculos com os funcionários, está se acostumando a ideia de um possível fim iminente para o serviço de locação de filmes. “Não é algo que me preocupa tanto. É algo que eu já tenho em mente que vai ter um fim. O que é uma pena porque é um hábito que eu gosto.”
Já a estudante de jornalismo Linda Braga, 20 anos, leva em consideração outros fatores na hora de optar por uma locadora. “Pela variedade que eu encontro quando eu entro numa locadora. E por eu ter quase 100% de certeza de que aquele filme vai ter qualidade. Diferente de um que eu baixasse pela internet, por exemplo”, explica a estudante.
Linda Braga, estudante de jornalismo.
Foto: Arquivo pessoal.
Ana Bastos, 19 anos, também estudante de jornalismo, revela que não tinha o hábito de alugar filmes quando era mais nova. Mas que desenvolveu paixão pelo cinema. “Eu notei que não tem tanta variedade para encontrar clássicos na internet. Então a melhor alternativa pra mim era alugar. E tem umas locadoras que eu frequento que tem um bom acervo. Principalmente de filmes antigos que são os meus favoritos.”
Ana Bastos, estudante de jornalismo.
Foto: Arquivo pessoal.
Confira abaixo a matéria feita para o Jornal Esquina.
Em um país em que mais de 13 milhões de cidadãos acima de 15 anos podem ser considerados analfabetos, estudar um segundo idioma é um ato desafiador. Enfrentar a desigualdade social e mudar o próprio destino através da educação é um caminho que está sendo traçado por Paloma Pinheiro.
A jovem de 18 anos é estudante de Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB), e apostou no estudo de línguas para escrever a própria história. “Comecei a estudar Inglês aos 11 anos, quando minha mãe me matriculou no CIL (Centro Interescolar de Línguas). Desde então eu não parei mais de estudar outros idiomas”, afirma.
Fluente em Inglês e Alemão, Paloma começou a estudar Francês no ano passado “O curso que eu escolhi tem um mercado de trabalho competitivo. E essa área, especificamente, exige um alto conhecimento em línguas”, afirma a jovem.
Filha de empregada doméstica, Paloma foi matriculada em inglês para que tivesse um futuro melhor. Em pouco tempo já falava bem e decidiu, com incentivo do pai, começar o estudo de alemão.
Aos 15 anos, Paloma fez o primeiro intercâmbio. Selecionada entre vários alunos da escola, a jovem teve todas as despesas pagas pelo CIL para passar um mês em Frankfurt, na Alemanha. “Eram só 37 vagas para o Brasil todo. Uma delas foi minha. Minha família não teria condição de pagar um intercâmbio. Se não fosse tudo pago eu não iria. Foi uma experiência ótima. E como havia gente de todo o mundo, a gente tinha mesmo que falar alemão. Isso foi muito bom para praticar”.
A jovem ainda ressalta que o fato de ser uma mulher negra tornou os desafios maiores. “ As pessoas se espantam quando eu digo que falo inglês e Alemão”, afirma.
Paloma achava difícil conseguir outro intercâmbio. Ela conquistou uma das 37 vagas disputadas entre 12 mil estudantes brasileiros. “Eu achava que tinha tido sorte da primeira vez. Mulher e negra. Em que mundo eu ia conseguir isso?”, relata. “Até que eu comecei a buscar outras oportunidades e conheci o Jovens Embaixadores e fui para Washington. Lá eu estudei e fiz trabalho voluntário. Como dessa vez estava mais velha, pude compreender melhor que os Estados Unidos não é um país perfeito, e que tem problemas sociais muito complicados também".
No mesmo ano, em um projeto do Governo do Distrito Federal, Paloma foi com outros 49 alunos estudar na Universidade do Arizona. "Dessa vez foi um intercâmbio mais técnico. Aprendemos sobre empreendedorismo e liderança. Foi único, assim como as outras vezes".
“Para mim, é uma questão de oportunidade. Eu me identifico como mulher negra e é isso que eu sou. Infelizmente, eu sei que eu sou uma exceção por conseguir o que consegui. A grande maioria não teve as oportunidades que eu tive. E por isso eu quero ser um exemplo para as meninas negras. Eu tenho certeza que se elas tivessem tido as mesmas oportunidades que eu tive elas chegariam tão longe quanto eu. Eu quero que elas saibam disso”.
Inclusão Social
Rayza Brenda, de 18 anos, é professora de Inglês há três anos e meio. Filha de uma costureira e um mestre de obra, o aprendizado do segundo idiomas foi um diferencial não apenas na vida da jovem, mas na vida da família. “Aos 15 anos, quando eu percebi a importância do conhecimento, achei que deveria passar adiante. Então eu comecei a dar aulas de Inglês. Isso foi muito importante para a minha família porque meus pais conseguiram juntar dinheiro. Eles reformaram a casa, compraram um carro. Essas coisas mudaram o nosso padrão de vida”, afirma.
Assim como Paloma, Rayza também foi selecionada para o intercâmbio na Universidade do Arizona com todas as despesas pagas pela escola, durante um mês. “Lá, nós estudamos sobre liderança e empreendedorismo. Tivemos oportunidade de conhecer vários lugares. Foi realmente muito enriquecedor”.
O segundo idioma também possibilitou que Rayza pudesse escolher o que queria cursar na faculdade. A jovem está no primeiro semestre da faculdade para Licenciatura em Letras - Inglês. “Quando não falamos outro idioma, infelizmente as opções diminuem. As pessoas até me olham com outros olhos quando descobrem que falo inglês. Quando comecei a estudar inglês, descobri que queria fazer isso o resto da minha vida. Agora, estou estudando para isso”, relata.
O professor especialista em linguística, Marcos Bagno, explica que a sociedade brasileira sofre de um grave problema quando o assunto é educação. Apesar de programas sociais implantados nos últimos anos, o Brasil vem arrastando o problema da falta de educação há 500 anos. “Somos herdeiros de uma sociedade colonial, em que a educação nunca foi prioridade”, explica.
Bagno ainda explica que há diversos fatores de inclusão social. Um somado a outro pode sobressair em detrimento do conhecimento de idiomas, considerando que a inclusão social se dá por uma série complexa de fatores “O conhecimento de línguas estrangeiras sempre foi mitificado como uma espécie de “alto saber” que torna a pessoa digna de algum respeito diferente, como se fosse um conhecimento “especial” que torna alguém “superior”, afirma. “A pessoa pode falar muito bem uma língua estrangeira. Mas se for negra e pobre, por exemplo, é mais do que certo que será preterida em favor de outra que não tenha essas características sociais”, ressalta.
Oportunidades
A professora de Espanhol Ana Eulália Moura, 43 anos, deu aulas no CIL durante quatro anos. Para ela, o estudo de um novo idioma pode abrir novas portas e mudar o futuro de muitos jovens. “Não é apenas a habilidade de falar uma outra língua. Esses jovens começam a ver outras oportunidades, novos horizontes para ter um futuro melhor”, explica.
Ana Eulália ainda relata que a situação vivida por muitos desses jovens. A maioria deles, com uma vida precária e sem oportunidades, não tem acesso a internet. “É importante ressaltar que muitos desses jovens que não esperam muito da vida. Com um novo idioma, acabam viajando o mundo e conhecendo outros países dentro da própria sala de aula. Nós, professores, levamos filmes, fotos e músicas que apresentam um universo de coisas novas a eles”, afirma. “Além de aprenderem uma nova língua e uma nova cultura, eles acabam se desenvolvendo em outras matérias na escola”.
A professora ainda conta como alguns dos alunos estão conseguindo ter uma nova vida através do estudo de espanhol. “Tenho alunos que moram em satélites muito distantes e que não têm a vida muito boa. Esses alunos estão me ligando para me perguntar quanto eles devem cobrar por uma aula particular de espanhol. E, quando digo que o valor mínimo deve ser de R$40 por hora eles acham que é muito dinheiro”, afirma.
Gabriel Guimarães, de 19 anos, também está fazendo Licenciatura em Inglês. Filho de costureira, aos 12 anos o jovem pediu à mãe para ser matriculado no curso. “Eu já gostava do idioma. Ouvia música e tentava aprender sozinho. Então minha mãe me matriculou no CIL, já que um curso em uma escola particular é muito caro e ela não poderia pagar”, afirma.
Muito mais que uma paixão, o Inglês foi um divisor de águas para Gabriel. Com a mãe aposentada, o jovem passou a ter mais participação nas contas de casa. “Já estivemos pior. Os meus irmãos mais velhos já estão podendo ajudar agora. Mas é muito bom ver que o estudo de uma coisa que eu amo tanto está podendo ajudar dentro de casa”, afirma. “E nada disso seria possível se eu não tivesse estudado Inglês”.
Alimentos em cantinas escolares do DF. Foto: Jéssica Simabuku
O cardápio das escolas do Distrito Federal mudou após uma decisão que já se aplicava ao menu das escolas públicas. Agora os colégios particulares também têm de se adequar à nova alimentação. O decreto que regulamenta a Lei nº 5.146 de 2013 está publicado no Diário Oficial do DF de 24 de novembro de 2015.
Pela norma, podem ser vendidos no ambiente escolar legumes, frutas, sucos naturais, iogurtes, bebidas lácteas, sanduíches naturais sem maionese, pães e biscoitos integrais, tortas ou salgados assados e barras de cereais sem chocolate.
As cantinas comerciais localizadas no interior das escolas ainda devem oferecer para consumo, diariamente, pelo menos uma variedade de fruta da estação in natura, inteira ou em pedaços. De acordo com a lei, as unidades só poderão funcionar mediante alvará sanitário.
Decreto publicado no Diário Oficial que regulamenta a Lei nº 5.146, que estabelece diretrizes para alimentação adequada e saudável nas escolas de rede de ensino do DF. Foto: Diário Oficial da União/Reprodução
De acordo com o presidente da Associação de Cantinas das Escolas do DF (ACEDF), Luiz Magalhães, a transição está sendo tranquila, já que comerciantes haviam se preparado para cumprir a lei. “As cantinas já se anteciparam à regulamentação da lei e deixaram de servir alimentos gordurosos e prejudiciais à saúde há algum tempo."
Segundo o decreto, “a promoção da alimentação adequada e saudável compreende as ações da educação alimentar e nutricional e a oferta de alimentos e refeições nutricionalmente adequadas com controle de qualidade e condições higiênico-sanitárias dos alimentos”.
Frutas in natura, lanches naturais e gelatinas oferecidas em
cantina escolar. Foto: Jéssica Simabuku
O decreto não se aplica somente às cantinas das instituições de ensino. Os comerciantes instalados a até 50 metros dos portões das escolas também devem seguir os novos padrões.
A nutricionista Bruna Parente afirmou apoiar a nova medida, e acredita ser algo positivo para a alimentação dos jovens. “Eu acho um avanço (o novo decreto), porque a gente sempre tem que estar visando a alimentação saudável da criança. Se uma cantina tem um salgadinho e uma salada de frutas, a criança sempre vai escolher o salgadinho.“
Porém, ela acredita que, mesmo com esse novo decreto, as crianças não vão mudar. Por isso o ideal é que elas levem o lanche diretamente de casa. “Na lancheira você sabe qual a procedência, quem preparou a comida, quais ingredientes foram utilizados para preparar aquele alimento e qual foi a forma de higienização dos utensílios." Ouça trecho da entrevista.
Bruna apresenta algumas sugestões de itens essenciais nas lancheiras das crianças, para que se possa reduzir e controlar o alto índice de obesidade infantil observado no Brasil:
1 tipo de carboidrato integral: pão integral com queijo branco, biscoito integral ou um bolinho de banana integral sem açúcar;
1 frutaou suco: caso a escolha seja de suco, ele deve ser natural ou de polpa sem açúcar.
Sugestão de itens para composição de lancheira. Foto: Reprodução
O papel da Secretaria de Educação é orientar os alunos e cantineiros com relação às medidas estabelecidas no decreto. Por meio da Diretoria de Alimentação Saudável, a pasta disponibiliza nutricionistas que vão até as escolas para fazer esse trabalho.
Dona de uma cantina em uma rede de escolas particulares de Brasília, Patrícia Cipriani diz que conseguiu se adaptar facilmente ao novo cardápio porque desde que estabeleceu a cantina no colégio, serve alimentos mais saudáveis para os alunos. Para ela, a mudança estimula os jovens a se desenvolverem com saúde, porém é de difícil adaptação. Patrícia afirma ainda que a cantina recebe uma nutricionista duas vezes por semana, para adaptar o cardápio para os alunos. Ouça entrevista.
De acordo com a Secretaria, cantinas que descumprirem a lei sofrerão multas ou demais penalidades que variam de R$ 2 mil a R$ 1 milhão, dependendo das irregularidades. A pasta informa que até o momento foram inspecionadas 84 escolas, mas a Vigilância Sanitária está organizando um cronograma para verificar as condições das cantinas de todas as escolas do DF.
Alimentos proibidos e permitidos nas cantinas escolares
do DF de acordo com decreto que regulamenta a
Lei nº 5.146 de 2013. Foto: Reprodução
A servidora pública Renata Pinheiro tem um filho de 12 anos que estuda em uma escola onde a cantina também oferece um cardápio mais saudável na merenda. Segundo ela, o garoto aprovou a qualidade do lanche na cantina da escola, e tem se alimentado melhor em casa também.
"Ele mesmo notou uma diferença que não tem nada frito e que os lanches são bem saborosos. Apesar de reclamar no início, ele percebeu que era uma qualidade de vida para ele em termos de alimentação, e gostou disso. Acho que tudo inicia em casa. A alimentação saudável tem que vir primeiro de casa e o apoio da escola é fundamental".
Nas escolas públicas, foi preciso colocar à venda no mínimo duas das frutas em estado natural descritas no parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 5.232, de 5 de dezembro de 2013. As opções são banana, laranja, mexerica, maçã, pera e goiaba.
Auditores da Vigilância Sanitária, da Secretaria de Saúde do DF, analisam se as cantinas estão trabalhando de acordo com as normas estabelecidas do decreto. Se necessário, são feitas recomendações de ajustes, e é dado um prazo para que se adequem e cumpram as solicitações feitas.
Salgados assados servidos em escola do DF. Foto: Jéssica Simabuku
Materiais publicitários sobre alimentos que fazem mal à saúde não podem ser expostos no ambiente escolar. Também não são permitidos alimentos industrializados cuja taxa de calorias provenientes de gordura saturada ultrapasse 10% das calorias totais.
O tratamento homeopático é uma
alternativa de prevenção e combate às doenças. Com a proposta de restaurar o
equilíbrio energético do paciente com base nos sintomas e tratar qualquer
disfunção.
A homeopatia oferece um tratamento diferenciado
do oferecido pela medicina tradicional. Ao contrário de um medicamento único
que combate a mesma doença em pacientes diferentes, ela opta por fazer uma
terapia individual, atentando-se para o quadro apresentado pelo paciente em
determinado momento.
O método aplicado parte do pressuposto de que toda
substância capaz de provocar determinados sintomas em uma pessoa sadia é capaz
de curar esses mesmos sintomas quando apresentadas por uma pessoa doente.
A farmacêutica Flávia Andrade explica que o processo
na manipulação em si não é tão simples quanto parece, existe todo um
processo especial de preparação que exige muitos cuidados: "Não pode
acontecer de maneira alguma de passar a quantidade da
dose prescrita pelo médico."
A forma de individualizar o tratamento
homeopático é única: o paciente precisa dar vários detalhes sobre o que sente, assim o médico consegue examinar e entender sua história a fim
de realizar o diagnóstico e dar início ao tratamento curativo ou
preventivo.
Suas fórmulas são tão diluídas , que muita gente dúvida que exerçam alguma ação no organismo
Reprodução: Google
De
acordo Iran Augusto Cardoso, homeopata do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal,
a chance de êxito do tratamento gira em torno de 95%. Indagado a partir de
quantos anos a pessoa pode se submeter ao tratamento, o homeopata respondeu que
desde o nascimento da criança até o último dia de vida. Ele também
explica que os medicamentos homeopáticos não causam efeitos colaterais, contudo
pode ocorrer a patogenesia, que é o momento em que os sintomas da doença
parecem se agravar. Isso ocorre porque o medicamento homeopático pretende
provocar no organismo uma doença artificial, semelhante à doença natural, para
estimular o organismo a corrigir o desequilíbrio.
Flavia
Ferraz adaptou-se facilmente à homeopatia. Ainda recém-nascida, teve crises de
bronquite asmática, quando sua mãe optou pelo tratamento, não esperava que
fosse tão eficaz, mas não demorou muito para que os problemas respiratórios
desaparecessem completamente. Desde então adepta do tratamento, hoje conta:
“sinto-me totalmente renovada".
Helena Pontes também utiliza o tratamento, para uma simples
dor de cabeça até infecções de natureza mais grave, inclusive ginecológicas.
Segundo ela, muitas doenças para as quais seriam prescritos antibióticos, o
tratamento homeopático resultou em convalescência rápida e eficaz sem o risco
de desenvolver a tão temida super resistência das bactérias.
Uma alternativa é o medicamento em forma de glóbulos de açúcar (impregnados com líquido dinamizado)
Reprodução: Google
A homeopatia apresenta as suas
fórmulas em bolinhas de açúcar (impregnadas e água) ou em gotas, o que facilita
o uso em crianças de tenra idade e em idosos que têm dificuldade de engolir
comprimidos isso é um dos motivos que os remédios homeopáticos se tornam uma
alternativa para muitos, conhecido como "medicamento natural" por
serem extraídos de substancias vegetais, animais e minerais eles tem o poder
de estimular o sistema de defesa de um corpo, propõe restaurar
o equilíbrio energético do paciente com base nos sintomas tratando qualquer
doença.
"Quem já esta acostumado a se tratar com
os homeopáticos, o efeito é bastante acelerado e em algumas horas a pessoa
já apresenta uma sensação de conforto, mas se o médico der início ao
tratamento em uma pessoa que nunca usufruiu da homeopatia, demora mais para
fazer efeito, isso porque o corpo esta primeiro tentando se desintoxicar do
alópatico para que assim o homeopático faça efeito". Explica
Beatriz Moura, farmacêutica homeopática.
Existe uma controvérsia
quanto à eficácia da homeopatia. Apesar de ser um ramo reconhecido da medicina,
muitos alegam a falta de evidências científicas. Mas por outro lado, o método
vem ganhando cada vez mais adeptos que, por obterem bons resultados, vão
abandonando aos poucos a medicina convencional para tratar ou prevenir doenças,
e isso pode ser o indício de uma ampliação nesta área, o que nos abre um leque
de opções ainda mais consistente.
Criado em 2009, o Blog Esquina é um veículo laboratório do curso de Jornalismo do UniCEUB. O Blog é uma produção de alunos da disciplina Jornalismo Online do 6º semestre e supervisionado pelo professor da disciplina. Os conteúdos seguem licença criativa.