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Aumenta polêmica em torno do tratamento da leishmaniose

No Brasil, o uso de medicamento humano em animais é proibido. O Ministério da Saúde recomenda que cães infectados devam ser eutanasiados

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde, no Brasil há cerca de 30 milhões de animais abandonados, e 20 milhões são cachorros.  Em Brasília não é possível saber o número de animais em situação de abandono, já que a Diretoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde não possui dados que apontem a real situação desses bichos na capital. A reportagem especial ‘Desafio de quem acolhe animais abandonados’, do Jornal Esquina, mostra a dificuldade de protetores independentes no resgate de bichos de rua.
Os animais desabrigados são os mais suscetíveis a adquirir doenças como a Leishmaniose Visceral. Desconhecida por muitos, a doença afeta animais e humanos e é considerada a principal doença que pode ser transmitida às pessoas pelos animais no país. Segundo o Ministério da Saúde, 291 casos de morte foram registrados em 2013, mesmo havendo tratamento disponível por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Para o animal infectado, não existe tratamento legalizado. Ao tutor, fica a missão de sacrificar ou cuidar do cão.
Criou-se uma discussão acirrada sobre como proteger a vida humana e a real necessidade de sacrificar cães contaminados. De um lado, o Estado determina a eutanásia para animais infectados. De outro lado, protetores, veterinários e tutores decidem tratar os bichos. Não existem medicações totalmente eficazes e o tratamento é proibido, enquanto na Europa e nos Estados Unidos, tratar é a melhor alternativa. Diferente da raiva, a leishmaniose não tem campanhas gratuitas de vacinação.

Doença
 No Brasil, a leishmaniose é identificada em dois tipos de manifestações clínicas: a visceral e a  tegumentar. A primeira ataca os órgãos internos como o baço, o fígado e a medula óssea. A segunda produz feridas na pele e nas mucosas, tendo os animais silvestres como principal vetor de contaminação. A leishmaniose visceral é mais perigosa que a tegumentar, porque pode levar os humanos à morte. Os principais hospedeiros são os cães, disseminadores da doença.
De acordo com o Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral, publicado pelo Ministério da Saúde, essa manifestação ocorre por meio de um intermediário, a partir da picada da fêmea de um flebótomo da espécie Lutzomyia longipalpis.
O manual explica que a transmissão para os humanos é indireta. Ou seja: não são os cachorros que contaminam as pessoas, mas o mosquito que transmite o parasita da leishmaniose para o animal. Uma vez infectado, o cão fica com o parasita para sempre. E quando picado por outro mosquito, esse pode passar a doença para o homem.
Confira abaixo a entrevista com o médico veterinário Paulo Tabanez. O profissional explica as formas de transmissão da doença, os sinais clínicos e as formas de controle e prevenção.




Eutanásia
A indicação do Ministério da Saúde é que os animais infectados sejam sacrificados. No entanto, a pasta recomenda ações de prevenção da doença. O aumento de protestos de civis, profissionais e ativistas a favor do tratamento resultou na derrubada da Portaria 1.426/08 dos Ministérios da Saúde e da Agricultura por uma liminar do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) em Campo Grande, onde foi autorizado o tratamento de animais portadores da moléstia. A decisão incentivou demais adeptos em outras cidades do país.
A portaria interministerial determina que os cães infectados pela Leishmaniose Visceral não podem ser tratados com medicação humana. O documento decreta que os animais contaminados devem ser sacrificados pelo processo de eutanásia, pois a condição de tratamento implica em riscos de contaminação às pessoas.

A artista plástica Alaell Neves, 53 anos, é totalmente contra as ações promovidas pelo governo incentivando a eutanásia em animais infectados com Leishmaniose. Há mais de um ano, ela paga o tratamento da cadela Nina, que já apresenta melhoras significativas. Confira abaixo a entrevista:




A estudante de medicina veterinária Isadora Leão, 18 anos,  conta como foi difícil a experiência de sacrificar a cadela Clara,  em decorrência da leishmaniose. Em virtude disso, ela decidiu seguir a profissão que tornaria possível colocar em prática o tratamento de todos os cães portadores da doença. Segundo ela, Clara utilizava a coleira repelente do mosquito transmissor, mas este meio de prevenção não funcionou. Então, a família optou pelo sacrifício, pois, o tratamento é muito caro.
Confira abaixo o depoimento de Isadora:

Confira também:


Leia a reportagem publicada no Jornal Esquina:

http://issuu.com/blogdoesquina/docs/desafio_de_quem_acolhe_c__es_e_gato

Por: Cleuma Cunha, Fernanda Câmara, Henrique Rufino, Luíza Gutierrez, Pedro Ricardo e Thalita Ribeiro
Arte: Camila Campos - Agência de Notícias UniCEUB